Não há como impedir que pessoas de outras cidades se vacinem na capital, diz Doria

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (30) que é impossível impedir que pessoas se vacinem em outras cidades e que o estado não tem fronteiras.

A afirmação foi feita repercutindo falas do secretário da Saúde da capital, Edson Aparecido, que declarou que eventual falta de doses na cidade de São Paulo ocorre porque os imunizantes são aplicados em pessoas do outro município.

“São Paulo é um estado. Aqui não estabelecemos fronteiras entre cidades e nem impedimos pessoas de se movimentarem. Assim como São Paulo faz parte do Brasil. Seria o mesmo que pedir a um brasileiro de outro estado que estando em São Paulo tenha acesso a vacina”, disse, durante evento para entrega de 420 mil doses ao Plano Nacional de Imunização.

“Somos um só país, um só estado, não há como impedir que um habitante de uma cidade venha até a capital e tome a vacina aqui. Assim como no interior e no litoral alguém se dirigir a outra cidade para tomar sua vacina. Não é justo, não é razoável, nem possível sequer impedir que isso aconteça”, completou.

Doria pediu também para que as pessoas tomem a segunda dose preferencialmente no mesmo local onde foi aplicada a primeira e se possível dentro do prazo.

“Não temos o número de quantas pessoas de fora de São Paulo se vacinaram na cidade, pois não é pedido a elas comprovante de residência [no momento da vacinação]. Sabemos que pessoas de fora buscam a cidade, pois há excedente de doses aplicadas em algumas faixas etárias no município”, afirmou Edson Aparecido, secretário de Covas.

O secretário da Saúde do estado, Jean Gorinchteyn, disse que a preocupação é fazer com que as pessoas que não tomaram a segunda dose sejam vacinadas.

“A prerrogativa do governo do estado é vacinar. E queremos que as pessoas realmente vacinem. E para elas estarem realmente vacinadas, seja onde for, elas precisam ter realmente as duas doses. E essa é uma das grandes preocupações que nós temos, que hoje temos 270 mil pessoas que não vieram tomar a segunda dose por algum motivo”, disse.

Segundo o governo, parentes de pessoas idosas serão procurados na tentativa de conseguir com que essas pessoas sejam vacinadas.

Na próxima semana, o estado de São Paulo vai anunciar a ampliação da vacinação de pessoas com comorbidades na próxima semana e planeja fiscalizar os médicos por meio do cadastro no CRM (Conselho Regional de Medicina).

Regiane de Paula, coordenadora de imunização, afirma que o governo ainda está estudando como será adotada a estratégia entre as diferentes comorbidades. Uma possibilidade é que seja feita por faixas etárias.

Para tentar detectar as prováveis tentativas de falsificação ou irregularidades, o governo criou um novo campo no sistema de vacinação estadual onde será incluído o número do CRM dos médicos. Dessa maneira, se houver uma quantidade suspeita de autorizações, poderá ser feito o monitoramento.