“Não pode as pessoas acharem que é normal o que está acontecendo”, diz Braga apontando um quadro caótico na administração pública do Estado

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“Uma moça vai sair de uma academia no centro da cidade e eleva três tirambaços, um na cabeça, e ninguém fica indignado. Uma família está em casa, entram sete, nove, bandidos na casa, fazem todos de refém, estupra, faz de tudo, e ninguém fica indignado. O Vieiralves, a cada x minutos tem um assalto, um sequestro relâmpago, ou uma tentativa de assassinato. Presos fogem do presídio a luz do dia em tirolesa em pleno centro da cidade de Manaus, e as pessoas filmando com o celular, e parece que está tudo bem, que isso está certo. Não tá! A polícia prende dois bandidos, com dois corpos dentro do carro, e está tatuado a faca no corpo dos dois mortos a palavra FDN (sigla da facção criminosa Família do Norte) e parece que está tudo certo. Não tá!”.

Essas são declarações do candidato derrotado nas eleições de outubro para o Governo do Estado, senador Eduardo Braga (PMDB) que enveredou por essa linha de raciocínio ao responder pergunta do colega jornalista Elcimar Freitas, sobre os comentários feitos por seus adversários de que teria perdido as eleições e estava acabado politicamente, e agora ele (Braga) reaparecer publicamente com um grupo político que não foi esvaziado e aparenta estar unido. “Essa é uma demonstração de força”, perguntou o repórter.

“Na política, nada é tão simples assim. Eu já ganhei e perdi eleições. Eu me lembro que quando perdi a eleição enfrentando uma reeleição de Alfredo (Nascimento) para prefeito (ano de 2000), onde eu também fui para o segundo turno, disseram que o Braga acabou. Dois anos depois (2002), eu era eleito no 1º turno governador do Amazonas aos 42 anos de idade. Na política nada é tão simples. Eu acho que o que é verdadeiro, que a gente pode agora fazer uma análise não mais com a paixão e a emoção de uma eleição é que, a eleição que acabou de ser disputada foi conduzida por marqueteiros e por algumas pessoas de uma forma que elas reputam inteligente, mas eu reputo muito perigosa para o Amazonas”, avaliou Braga.

Ele fez essa análise política apontando para o fato de que, na sua opinião, é “perigoso para o Estado uma eleição onde o que se menos discutiu foi a competência para resolver os problemas que o povo está enfrentando”.

unnamed (4)Amazonas em crise

E o senador Eduardo Braga pinta um quadro caótico da administração pública estadual, não só na segurança pública. “Não tá certo você chegar no 28 de Agosto e não conseguir fazer uma cirurgia de urgência e de emergência porque não tem vaga, não tem material, não tem condições de funcionar. E o orçamento da Saúde é de R$ 2 bilhões. Também não é normal, não é certo o governo estar desde o dia 14 de outubro com os pagamentos suspensos e as cooperativas médicas, as cooperativas dos prestadores de serviço de saúde e etc estão na iminência de entrar e greve as vésperas do Natal”, criticou Braga.

Porém, apesar da situação de crise enfrentada pelo Amazonas, Braga deu a entender que seu adversário achou por bem deixar o Estado e seus problemas de lado para vencer a eleição a qualquer custo com a estratégia da desmoralização. “E ao contrário de discutirmos isso na campanha, o quê que nós fomos discutir? Ataques pessoais, eu sou casado com a Sandra há 33 anos – nesse momento ele segurou no braço de sua mulher Sandra Braga que estava sentado ao lado. A minha vida com a Sandra é uma vida longa, marcada por amor, por respeito pela criação das minhas filhas. Durante toda a campanha, eu tive que ficar vivendo com uma picuinha de que eu agredia a Sandra, de que eu obriguei minha filha a fazer aborto. Sabe, uma coisa absolutamente desonesta. Fazendo intriga entre eu e a Rebeca de que eu teria entrado na vida pessoal da Rebeca. Eu jamais entre na vida pessoal da Rebeca”, relembrou Braga em tom de indignação.

Para ele, a discussão teria que ter sido totalmente outra. “Ninguém discutiu comigo se eu era competente, trabalhador, se eu era capaz de enfrentar os problemas da segurança, se eu era capaz de enfrentar o problema do desemprego que está batendo na porta do Distrito Industrial. Ninguém discutiu comigo se eu era capaz de resolver os problemas graves e sérios da gestão da saúde. Não foram esses os debates. O que nós vimos foi prometer promoções para funcionários públicos em período eleitoral, o que é crime eleitoral, que agora, terminada a eleição, dizem que não é bem assim não, tem que voltar atrás pra avaliar. Isso é estelionato eleitoral”, reclamou.

Braga lembrou ainda que de forma irresponsável o governo “plantou” através da propaganda de que ele estaria inventando quando falava de problemas da segurança como roubo de carro e violência contra mulher, e agora o Anuário da Violência, levantamento feito em nível nacional, aponta o Amazonas como o Estado com o maior número de roubo de carros e de estupros. “E eu vou continuar dizendo, o Amazonas está vivendo um momento crítico, grave, de violência contra a mulher. Assim como alguém tem que responder como um Estado que é quase uma ilha, não tem estradas para todos os lugares, tem o maior índice de roubo de carros. Por que esses veículos não são achados?””, questionou Braga, em tom de cobrança própria da oposição, que pelo jeito vai continuar, levando em consideração o fato dele dizer que concorda com o posicionamento já manifestado pelo PC do B, através de Eron Bezerra de que “quem ganha governa e quem perde faz oposição”.

“Ainda vamos nos reunir com o conjunto dos partidos que estiveram na aliança conosco. Mas, nós do PMDB queremos fazer oposição, mas oposição de alto nível, jamais fazendo o que fizeram conosco, desconstruindo minha imagem e da Rebeca, ou de quem quer seja “, diz Braga. (Any Margareth).