‘Narcomilicianos’ usaram armas de guerra contra agentes, diz polícia do RJ 

Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL

A Polícia Civil informou ter matado ontem 12 suspeitos que integravam um comboio em Itaguaí (RJ), na Baixada Fluminense, porque eles teriam reagido com armas de guerra ao perceberem a presença dos policiais. Todos os integrantes do grupo —nomeado pela polícia como “narcomilícia” por suposta associação com o tráfico de drogas— morreram na operação e um policial ficou ferido.

Após o comboio ser interceptado, os suspeitos desembarcaram dos quatro carros para atirar, segundo a polícia. Em entrevista à imprensa hoje, a Polícia Civil defendeu a legalidade da operação ao dizer que os policiais reagiram a um ataque. Os agentes informaram que apenas um tiro atingiu um dos veículos usados pelos suspeitos —o que, segundo a polícia, reforça a tese de que os policiais só atiraram para revidar os disparos supostamente feitos pelo grupo.

“São criminosos que sempre andam com armas de guerra. Para eles, se entregar não é uma opção”, disse o delegado Fabrício Oliveira, coordenador da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil.

A ação na noite de ontem contou com a participação de cerca de 30 agentes da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil e da PRF (Polícia Rodoviária Federal), mais que o dobro em comparação ao número de suspeitos.

O policial atingido não se feriu com gravidade, já que o disparo atingiu o colete à prova de balas na região do peito. “A vida de um policial foi colocada em risco. Se o tiro fosse um pouco acima, ou atingiria no pescoço ou na cabeça. A ação foi dentro da legalidade”, disse o delegado Fábio Salvadoretti.

Líder morto é reconhecido por cicatriz no braço 

O corpo do ex-PM Carlos Eduardo Benevides Gomes, o Bené, um dos mortos na ação e apontado como chefe do grupo em Itaguaí, só foi reconhecido por causa de uma cicatriz em um dos braços.

Os outros 11 suspeitos mortos ainda não foram identificados.

Os quatro carros —que são roubados e clonados, segundo a polícia— se deslocavam da avenida Brasil, no Rio, para Itaguaí usando uma via paralela à rodovia Rio-Santos. O trecho, que fazia parte da rota usada pelo grupo, estava sendo monitorado pela Polícia Civil havia duas semanas.

Quando o veículo entrou na Rio-Santos, os agentes disseram ter usado as viaturas para cercar os dois acessos. Encurralados, os suspeitos desembarcaram atirando, segundo a polícia.

“Não buscamos o confronto. O nosso objetivo era interceptar o comboio. O confronto só ocorreu porque eles desembarcaram e começaram a atirar contra os policiais, que reagiram”, relatou o delegado Rodrigo Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil.

A polícia apreendeu ao menos oito fuzis, quatro pistolas, munições, carregadores, um facão, aparelhos de comunicação e os quatro veículos. Os agentes relataram ainda que os suspeitos usavam fardamento militar, coturnos e coletes à prova de bala. Em um dos coletes apresentados à imprensa, lia-se “polícia”.

Segundo informações da Polícia Civil e do MP-RJ (Ministério Público do Rio), Bené chefiava uma espécie de “franquia” do Bonde do Ecko em Itaguaí. Considerado uma das maiores milícias do país, o Bonde do Ecko é uma continuidade do grupo paramilitar conhecido como Liga da Justiça, criado há 15 anos na zona oeste carioca.

Em 24 horas, polícia matou 17 suspeitos da mesma milícia

A operação faz parte de uma força-tarefa criada para coibir eventual intervenção de organizações criminosas nas eleições deste ano na Baixada Fluminense.

Na última quarta (14), outros cinco suspeitos de integrar a quadrilha foram mortos em um confronto com policiais em Nova Iguaçu (RJ). O grupo também tem ligação com o Bonde do Ecko.

Segundo a polícia, cerca de 40 suspeitos foram surpreendidos pelos agentes. Entre eles, estava Danilo Dias Lima, o Tandera, um dos chefões da quadrilha, que fugiu do local.

Polícia mira comércios suspeitos de lavagem de dinheiro

Em outra ação hoje, a Polícia Civil cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão por crimes ligados à atuação de milícia em comércios de Nova Iguaçu (RJ), também na baixada, que estariam sendo usados para lavagem de dinheiro. Até o momento, 17 suspeitos foram presos.

Entre os empreendimentos, os agentes identificaram um shopping center, farmácia, centrais de distribuição clandestina de TV a cabo, lojas e até um restaurante.