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Necrópsia de Heloisa mostra que tem um monstro à solta

Ler o laudo de necrópsia feito pelo Instituto Médico Legal do Amazonas (IML) no corpo de Heloisa Medeiros, de 17 anos, encontrada morta na manhã do dia 15 de dezembro, em uma casa na rua Miranda Leão, dois dias depois de seu desaparecimento, é ter certeza de que há um monstro à solta. (ver laudo na íntegra no final da matéria)

Segundo informações da própria polícia, investigações preliminares levam a crer que o crime teria sido cometido por Michel Saboia de Souza, de 19 anos, visto com Heloisa saindo de uma festa de aniversário numa choperia de Manaus. Após ter cometido o assassinato, ele teria ligado para um tio dizendo ter feito uma “besteira”.

Mas, o que se vê na necrópsia do corpo da adolescente, jamais poderia ser chamado de “besteira”. Mesmo vindo num vocabulário próprio da perícia técnica, não precisa nem ser um especialista pra saber que Heloísa foi humilhada, torturada, brutalmente espancada e morta.

Determinado trecho da necrópsia faz lembrar explicações dadas por especialistas em documentários do Discovery Investigação sobre comportamento criminoso. Em assassinatos semelhantes ao de Heloisa os peritos comportamentais veem em certas atitudes do criminoso a necessidade de humilhar a vítima como resposta ao fato de ter se sentido rejeitado. É nisso que pensei ao ler: “cabelos curto (intercalado com alguns fios de cabelo mais longo, irregulares, apresentando características de que foram cortados por não profissionais).

Isso significa que o assassino cortou os longos cabelos de Heloisa e esse fato me remeteu a lembrança do que disse a mãe de Heloisa em entrevista ao Radar ao contar que as amigas da adolescente disseram que ela vinha sendo assediada por Michel, mas o evitava de todas as formas.

O perito forense do Instituto Medico Legal do Amazonas também fala na necrópsia sobre “uma fina camada de substância branca endurecida encobrindo as unhas”. Para mulheres que usam ou já usaram unhas postiças, é fácil identificar que essa substância branca deve ser a cola. Junte a isso o fato do perito indicar que há “lesões escoriativas nas extremidades distais das polpas digitais das mãos”. Isso faz crer que Heloisa teve suas unhas postiças arrancadas, em mais uma tentativa do criminoso de causar dor e tornar feio o “objeto” de sua raiva, no caso a vítima.

E, aos olhos dos peritos comportamentais, outro visível ato do criminoso para humilhar a vítima é deixá-la nua ou seminua, para que seja encontrada e exposta aos olhos de todos desta forma. Heloisa foi encontrada apenas de calcinha na cena do crime.

Mas, para o assassino, não bastou apenas torturar e humilhar. Em várias partes da necrópsia, o perito fala sobre equimoses e lesões, em outras palavras ferimentos, consequentes do espancamento sofrido por Heloisa principalmente no rosto

Como se não bastasse desfigurar o rosto da vítima com agressões, o monstro que atacou Heloisa causou “luxação (deslocamento) das vértebras cervicais – se localizam entre a cabeça e o tronco. Segundo o perito, “ (….) evidenciando o trauma raquimedular e consequente asfixia”. Todas essas evidências levam a crer, para profunda tristeza de qualquer pessoa com um mínimo de humanidade, que Heloisa teve uma morte lenta e dolorosa.

E agora me vem a mente mais características dadas pelos peritos em perfis criminais sobre esse tipo de criminoso violento. Eles só aumentam a violência de seus crimes a cada caso de agressão. Em sua grande maioria, eles não começaram com crimes de morte, mas sempre deram sinais de que sentiam prazer com a dor dos outros. Ao se sentirem rejeitados, eles têm surtos de violência. Eles também não costumam parar até serem pegos.

E, no caso do assassinato de Heloisa, o suspeito de ser o monstro dessa história – Michel Saboia – está solto por aí e qualquer um (ou uma) que está a sua volta pode ser sua próxima vítima.

Confira a autopsia na íntegra