Nem Lula, nem Bolsonaro, nem ninguém

Há coisas acontecendo que são sintomáticas, politicamente falando. Um desses casos foi o deste domingo, 12 de setembro, quando o Movimento Brasil Livre (MBL), e o Movimento Vem pra Rua (VPR) decidiram fazer manifestações pelo país.

Em meios a defesa do impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro, o mote principal das manifestações estampava cartazes e camisas dos participantes dos atos: #NemLulaNemBolsonaro” e “Nem um dos dois em 2022”.

Bom lembrar que o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua são aqueles movimentos que organizaram manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff e pela prisão do ex-presidente Lula. Eles se associaram a Bolsonaro e agora dizem cruz credo pra ele como se não tivessem nada a ver como que está acontecendo no Brasil.

Os garotos desses dois movimentos sempre defenderam as mesmas pautas de Jair Bolsonaro, defenderam o corte de direitos trabalhistas, demonizaram os movimentos sociais que lutam pelos direitos dos mais pobres, apoiaram a escalada armamentista bolsonarista, foram a favor da perseguição a professores com a “fraude educacional” da tal “Escola sem partido”, debocharam de quem criticou as brincadeiras racistas e declarações homofóbicas do presidente e tantas outras coisas que os tornam a imagem e semelhança de Messias Bolsonaro”.

Eles ganharam a eleição com Bolsonaro e agora querem se distanciar dele. Mas, se Bolsonaro não estivesse fracassando tão terrivelmente, o MBL estaria, sem qualquer sombra de dúvida, defendendo sua reeleição. O MBL agora quer o impeachment de Bolsonaro e convocou todo mundo para ir às ruas.

Só que, pelo que parece, tem muita gente que quer distância do MBL e do VPR sabendo muito bem dos interesses que estão por trás disso, ou financeiros, ou eleitorais, ou ambos. Os principais partidos de esquerda, PT e PSOL disseram cruz credo pras manifestações e não participaram, assim como a principal central sindical do país, a CUT, além de vários movimentos sociais.

As manifestações do MBL foram um fiasco em se falando de adesão popular. Pelo jeito, as manifestações do MBL são sem Lula, sem Bolsonaro e sem ninguém.