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Nem Susam, nem Igoam vão recorrer da decisão judicial que determinou retorno aos hospitais do médico que cometeu violência obstétrica

Médico Armando Andrade chegou a ser preso na Operação Jaleco, em 2015, por cobrar por procedimentos médicos.

Nem a Secretaria de Estado da Saúde (Susam), cujo titular da pasta é vice-governador e defensor público, Carlos Alberto Almeida, nem o Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam), quando interpelados pelo Radar, demonstraram qualquer intenção de recorrer da decisão judicial que determinou o retorno ao atendimento às mulheres nas unidades de saúde do médico ginecologista e obstetra, Armando Andrade Araújo, que cometeu violência obstétrica. A decisão foi do juiz Diógenes Vidal Pessoa Neto, da 6ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

O Instituto se limitou em dizer que suspendeu o afastamento do médico e que a decisão da Justiça foi encaminhada imediatamente a Secretaria de Estado da Saúde (Susam), contratante dos serviços realizados pela empresa (Igoam). O Instituto é apontado pelo juiz que deu a decisão favorável ao médico como diretamente responsável pelo retorno dele ao trabalho já que, segundo o magistrado, o Igoam não teria feito os procedimentos corretos, de conformidade com o regimento interno, para que o médico fosse legalmente afastado de suas funções, algo que parece até proposital para que o médico recorresse à Justiça e garantisse seu retorno.

Essa situação proposital fica ainda mais visível quando o Igoam deixa claro que não vai seguir a orientação do juiz e recomeçar o procedimento administrativo, só que agora de forma correta, para afastar o médico do atendimento às mulheres nos hospitais.

Já a Susam “lava as mãos” para o caso de violência obstétrica e faz o conhecido “jogo de empurra” empurrando qualquer providência para o Igoam. Procurada pela reportagem do Radar, a Susam negou que tenha recebido a decisão da Justiça e se limitou em dizer, por telefone, que “qualquer providência sobre o caso cabe ao Igoam”.

Na nota, Igoam destacou que o médico estava afastado dos plantões desde o último dia 21 de fevereiro e responde a um processo administrativo que tramita no Conselho Disciplinar da empresa. “O Igoam apenas cumpre a determinação da justiça enquanto aguarda o parecer final do processo”, disse o órgão.

Entenda o caso

O médico ginecologista foi flagrado, em um vídeo, cometendo violência obstétrica contra uma grávida na Maternidade Balbina Mestrinho, zona Centro-Sul, ano passado. Pelo menos, seis acusações de maus tratos à gestantes pesam contra Armando.

Por conta das denúncias, a Defensoria Pública do Estado (DPE) pediu ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) instaure um procedimento ético disciplinar para cassar seu registro profissional.