No AM, mortes no trânsito aumentaram 1% em 2020 mesmo com a redução no número de acidentes

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Um levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) aponta que, de janeiro a setembro deste ano foram registrados 10.274 acidentes de trânsito no Estado, sendo que 3.418 deles ocasionaram mais de 8,8 mil pessoas feridas.

De acordo com a pesquisa, essas vítimas foram direcionadas aos três maiores prontos-socorros do Estado: João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo. Além de responsáveis por boa parte das internações hospitalares e pela maioria dos atendimentos de urgência e emergência, esses acidentes geraram mais de R$ 2 milhões em custos hospitalares.

O estudo aponta que, a maioria das vítimas lesionadas advém de colisões envolvendo motocicletas, principalmente a partir do mês de maio, quando houve maior procura pelos serviços de delivery. Os acidentes envolvendo duas rodas figuram ainda entre os maiores causadores de mortes no trânsito neste ano no estado: das 218 pessoas que perderam a vida em 2020 no Amazonas, 102 estavam em uma motocicleta.

Vale ressaltar que, em Manaus, 176 mil pessoas são habilitadas para conduzir motocicletas, mas apenas 1% possui curso de motofretista, necessário para se exercer a atividade de entrega por delivery, de acordo com o Detran-AM.

De acordo com análise, acidentes diminuem, mas aumentam as mortes no trânsito. O número de acidentes de trânsito no Amazonas diminuiu neste ano, em comparação com o ano passado. De janeiro a setembro, foram registrados 10.274 acidentes nas vias do estado, contra 11.617 em 2019, uma redução de 11,5% no período.

Os dados de acidente de trânsito são formados pela somatória do número de acidentes com vítimas lesionadas, com danos materiais e com vítimas fatais. Desse tripé, o único dado que teve um pequeno aumento foi o de vítimas fatais; os demais tiveram redução de 7,8% (danos materiais) e 18,7% (vítimas lesionadas).

Os acidentes com danos somente materiais tiveram a maior em maior quantidade de registros neste ano, de acordo com o levantamento. Dos mais de 10 mil sinistros, 6,6 mil ocasionaram apenas prejuízos financeiros aos envolvidos. Já os acidentes com vítimas lesionadas representam 33% do total de acidentes registrados até setembro, no estado. Foram 3.418 sinistros este ano contra 4.209 no mesmo período do ano passado.

Mesmo com a redução geral no número de acidentes, as mortes no trânsito aumentaram 1% este ano. Infelizmente, 218 pessoas perderam a vida nas ruas e rodovias do estado, contra 215 no ano passado. E a motocicleta ainda é um dos principais causadores de mortes no trânsito. Até setembro do ano passado foram 81 óbitos sobre duas rodas contra 102 este ano, um aumento de 25%.

Esse aumento começou a se acentuar no mês de maio, quando a procura por serviços delivery aumentou em Manaus. Contudo, a maioria das pessoas que passa a exercer essa atividade não possui capacitação para o trabalho, segundo o Detran-AM.

O motociclista que desejar atuar no ramo de entrega precisa incluir a Atividade Remunerada (EAR) na Carteira Nacional de Habilitação e ainda fazer curso de motofretista. No entanto, apesar de esse curso estar disponível pelo Detran-AM, ao valor de R$ 220,89, a procura pela capacitação é baixíssima.

Para se ter uma ideia, em Manaus existem 176.825 condutores habilitados com a categoria A e suas combinações (AB, AC, AD e AE). Desse total, somente 78.005 possuem a EAR na CNH e apenas 2.901 fizeram o curso de motofretista.

Ocupação de leitos

Até o mês de setembro deste ano, os três maiores prontos-socorros do Amazonas – João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo – atenderam 8.844 vítimas de acidentes de trânsito, gerando para o Estado um custo de R$ 2,03 milhões com internações, cirurgias e outros procedimentos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a cada dez atendimentos por acidente de trânsito realizados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), oito são envolvendo motociclistas. Dados também mostram que os homens representaram 67,1% dos atendimentos nas unidades de saúde do país e as mulheres 50,1%. Os jovens estão no grupo mais acometido por esses acidentes.

No Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. Aristóteles Platão Bezerra de Araújo, neste ano, foram 2.929 atendimentos de vítimas envolvidas em acidentes no trânsito. No HPS João Lúcio Pereira Machado, na zona leste, foram atendidas 3.605 vítimas de acidentes de trânsito, das quais 418 de acidentes com carros e 2.066 com motos. Já no HPS 28 de Agosto, 2.310 vítimas de trânsito foram atendidas na unidade.

Apesar dos números serem altos, o índice de atendimentos nas unidades de urgência e emergência de vítimas de acidentes de trânsito reduziu 24,66% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2019, em nove meses, os três prontos-socorros da capital atenderam 11.735 vítimas de violência no trânsito, gerando um gasto para o Estado de aproximadamente R$ 2.698.580,60.

A queda nos números teve influência das medidas de isolamento social tomadas pelo Governo do Estado durante o pico da pandemia de Covid-19. Nos meses de abril e maio deste ano, o número de atendimentos de vítimas de acidentes de trânsito foi 57,83% menor do que nos mesmos meses do ano passado. Em 2019, foram 2.590 atendimentos nos meses de abril e maio, já em 2020, foram 1.092 atendimentos.

*Com informações da Assessoria.