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No Amazonas, “Maus Caminhos” está por todo lugar. Conheça detalhes do esquema criminoso

Mesmo em preto e branco, o Radar faz questão de mostrar os locais onde, em tese, funcionam empresas acusadas de participar de esquema criminoso em Nova Olinda do Norte

Gilson Souza de Deus é pastor e esposo de Adriana Oliveira de Deus que é mãe de Vinicius Oliveira de Deus e todos têm um parentesco de segundo grau com Aldejane Cavalcante de Souza. Não! Euzinha aqui não vou falar sobre membros de uma igreja evangélica. Eles são de uma mesma família e aparecem, as vezes uns, as vezes outros, como os donos das empresas que receberam mais de R$ 11 milhões da Prefeitura de Nova Olinda do Norte (a 135 quilômetros de Manaus) – olha esse sobrenome, meu Deus!

As “licitações”, claramente direcionadas, eram feitas pelo secretário de Finanças, Paulo Henrique da Silva Nunes, que acumulava ainda o cargo de secretário de Administração, o sobrinho do então prefeito de Nova Olinda do Norte, Joseias Lopes (PROS) – isso é que é ação entre parentes, né meu povo?

Esse tipo de organização criminosa está descrito na denúncia (ver documento no final da matéria) feita ao Ministério Público do Estado (MPE), a qual o Radar teve acesso, e deu origem a ‘Operação Eldorado” deflagrada para apurar os crimes de corrupção ativa e passiva, fraudes em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Para o MPE, as empresas atuavam de fachada para não transparecer os desvios de recursos dos cofres públicos.

As empresas são: Art Casa Materiais de Construção Ltda; Barah Comércio e Representação Ltda; MM Borges – ME; Goldman Produção e Organização de Festas Ltda -ME; A.O. De Deus – ME. A denúncia mostra que essas empresas estão localizadas nos mesmos endereços de seus donos. É tamanha a desfaçatez – sinônimo de cara de pau mesmo! – que uma das empresas fica situada em Maués e no lugar funciona um armarinho. “Não só houve fraude na licitação, como também na execução do serviço”, destacou o Promotor de Justiça Alessandro Samartin, durante coletiva à imprensa.

Em tese essas empresas forneciam de tudo para a prefeitura de Nova Olinda do Norte, desde material de expediente e de limpeza, passando pelo aluguel de barcos, canoas, veículos e até eventos musicais – nesse caso era atrações gospel já que o empresário é pastor! Deus nos livre dessa gente, né meu povo!

O esquema funcionava assim: como uma empresa não podia ganhar sempre as licitações fraudadas para não chamar muito a atenção, outra empresa que fazia parte do mesmo grupo, era escalada pra ganhar o certame. Para que isso funcionasse a contento, servidores públicos recebiam propina, entre eles o sobrinho do prefeito, secretário de Administração e Finanças, que coordenava toda a maracutaia – só falta agora o ex-prefeito Joseias Lopes dizer que não sabia de nada e não ganhou um centavo.

O MPE anunciou que as investigações vão continuar e apontam para uma segunda fase da operação já que as provas “são robustas e reforçam a prática dos crimes investigados”. Comentou o Coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) Mauro Veras: “Não vamos generalizar, mas em grande parte desses municípios que temos investigado o que acontece é isso: desvios de recursos públicos para abastecer um grupo político e empresários inescrupulosos”.

Todos eles estão na mira do nosso Radar!

Denúncia ao MPE