No Amazonas, só 25 construtoras estão certificadas para receber recursos públicos

O Amazonas tem aproximadamente 3 mil empresas cadastradas como sendo da área da construção civil e, desse total, apenas 25 construtoras estão certificadas pelo Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), do Ministério das Cidades. O programa é pré-requisito para empresas que firmam contratos com o poder público ou que queiram financiamento de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal (CEF).

Conforme o consultor de empresas João Luis Bezerra, da Eetika Capacitação Profissional, em 2015, o número de construtoras certificadas pelo programa passava de cem, no Amazonas. O PBQP-H é um conjunto de ações desenvolvidas pelo Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Habitação, com o objetivo de organizar o setor de construção civil em torno da melhoria da qualidade das obras de habitação e da modernização produtiva. O programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo, exige construtoras que seguem comprovadamente o PBQP-H.

“A ideia da certificação é exatamente garantir que a empresa construtora seja organizada e consiga gerar resultados com a certificação. Alguns órgãos públicos, principalmente federais, exigem nas licitações a certificação. Alguns bancos exigem o certificado na hora de liberar a verba para que o cliente da construtora possa financiar o imóvel ou que a construtora consiga financiar a obra”, explicou Bezerra.

Nesta semana, Bezerra, que é de Fortaleza (CE), está fazendo consultoria, em Manaus, sobre a nova versão do programa. Nessa terça-feira (28), ele palestrou para um grupo de funcionários de empresas associadas ao Sindicato da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON-AM), entidade responsável em dar suporte ao PBQP-H no Estado.

“Essa é uma certificação que o sindicato cobra, tanto dos organismos estaduais como municipais e até federais, que exijam essa certificação para que a gente tenha uma qualificação equilibrada entre as empresas que concorrem a obras. Tem muita empresa que não segue norma de qualidade e concorre de igual para igual com aquelas empresas que investem, que têm normatização”, afirmou o presidente da instituição, Frank Souza.

Durante o workshop ‘O PBQP-H MUDOU! Descubra as novidades do Regimento do SiAC 2018’, o consultor detalhou as mudanças da nova versão do programa, que passarão a ser exigidas a partir do próximo ano.”A versão 2018 vai ser obrigatória a partir de junho de 2019. As construtoras que passarem por certificação, auditoria de manutenção ou de certificação no primeiro semestre de 2019, ainda podem fazer na versão antiga, de 2017. As empresas que têm auditoria no segundo semestre de 2019, obrigatoriamente, serão auditadas na nova versão. Não tem como fazer na versão antiga”, explicou.

Uma das principais exigências da nova versão é a compatibilização com a ISO 9001:2015. “Algumas construtoras, com a nova versão da ISO 9001, desistiram da certificação porque a norma trata muito sobre gestão. Essas empresas que desistiram vão ter que fazer a adaptação no sistema de gestão. Então, das principais mudanças, a adaptação da ISO 9001:2015 com o PBQP-H unificará a certificação como se fosse uma norma só”, ressaltou o consultor.

De acordo com Bezerra, em média, o processo de implantação da certificação do PBQP-H dura de oito meses a 12 meses, mas isso depende do engajamento dos gestores. “Tem clientes que quando a direção está bem envolvida, conseguem se certificar em três meses. Já tive clientes que se certificaram em três meses, outros se certificaram em dois anos, porque cada empresa tem uma realidade diferente. Não existe uma regra. A ideia é que a direção da empresa esteja envolvida, porque a certificação sai mais rápido e ela consegue ter um resultado mais promissor”, disse.

João Luis Bezerra, que tem 20 anos de experiência no mercado e é auditor líder de Sistema Integrado de Gestão (ISO 9001 + 14001 + 18001 + PBQP-H), deve firmar parceria com o SINDUSCON-AM para realizar mais palestras e treinamentos em Manaus.

Com informações da assessoria