No Dia da Terra, ativistas climáticos protestam contra combustíveis fósseis

Eles presssionam pela suspensão imediata das importações europeias de petróleo e gás russos e pelo fim da construção de infraestrutura de combustíveis fósseis.

Ativistas pelo combate às mudanças climáticas iniciaram uma onda de protestos pelo Dia da Terra nesta sexta-feira (22), pressionando por pautas como a suspensão imediata das importações europeias de petróleo e gás russos e o fim da construção de infraestrutura de combustíveis fósseis.

Na Europa, ativistas em Berlim, Varsóvia, Bruxelas e outros lugares foram convocados para atos perto de prédios do governo alemão ou de suas embaixadas, onde distribuirão rublos manchados de vermelho para simbolizar o sangue cobrindo uma moeda que eles dizem estar alimentando tanto as mudanças climáticas quanto a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A Alemanha é um dos países da União Europeia que se opõe a um embargo ao petróleo e gás da Rússia por medo de danos à economia.

Cerca de uma dúzia de ativistas na cidade de Lviv, no oeste da Ucrânia, também planejavam um protesto. Partes de Lviv foram atingidas esta semana por ataques de mísseis russos que mataram sete pessoas.

“Quando a Alemanha continua comprando gás e petróleo da Rússia significa que eles estão pagando seu dinheiro para construir novas máquinas militares, novas bombas que estão matando ucranianos”, disse Natalia Gozak, chefe do grupo da sociedade civil EcoAction, de Lviv.

Gozak afirmou que os políticos europeus precisam escolher entre as “inconveniências” econômicas de um embargo e as mortes de ucranianos.

Nos Estados Unidos, ativistas do grupo Extinction Rebellion bloquearam uma instalação de impressão de jornais de Nova York, onde pediram mais cobertura da mídia sobre mudanças climáticas.

Manifestantes jovens também se reuniram em locais como Bangcoc e Estocolmo, onde a ativista sueca Greta Thunberg se juntou à greve escolar – um protesto semanal que ela começou como estudante solitária em 2018 para pedir ações urgentes para lidar com as mudanças climáticas.

Os protestos visam ampliar as demandas por ação climática no Dia da Terra, quando as pessoas em todo o mundo celebram e se mobilizam em apoio à proteção do meio ambiente. Os atos ocorrem três semanas depois que um relatório de um cientista climático da ONU alertou que resta pouco tempo para conter as emissões de gases de efeito estufa o suficiente para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

No início desta semana, a Ipsos MORI divulgou uma pesquisa na qual dois terços de cerca de 20.000 pessoas consultadas em 31 países, entre 18 de fevereiro e 4 de março, disseram estar preocupadas com um futuro alterado pelo clima.

Desde a invasão da Ucrânia por Moscou em 24 de fevereiro, a União Europeia gastou mais de 38 bilhões de euros em importações russas de combustíveis fósseis.

Os 27 países da UE concordaram em proibir as importações russas de carvão a partir de agosto, como parte de amplas sanções contra bancos russos e magnatas empresariais.

A Comissão Europeia está avaliando os custos de substituir o petróleo russo por importações de outros lugares, em um esforço para persuadir os países relutantes da UE a aceitar um embargo, disse uma fonte da UE à Reuters nesta semana.

A ativista climática de Varsóvia Dominika Lasota, 20, disse que o movimento juvenil Fridays for Future estaria mudando sua abordagem ao realizar ações menores visando governos específicos que se opõem às sanções aos combustíveis fósseis, em vez de organizar os protestos de rua em massa que atraíram centenas de milhares nos últimos anos e ajudaram a chamar a atenção internacional para as mudanças climáticas.

O grupo quer destacar o papel que os combustíveis fósseis estão desempenhando no financiamento do conflito na Ucrânia, disse ela.