No governo do absurdo, adolescente só é atendido no hospital se não comer muito

Quando o repórter do Radar chegou na redação falando sobre essa denúncia feita por pais de adolescentes para os quais foi negado atendimento no Pronto-Socorro da Criança da Zona Sul sob justificativa de que têm mais de 45 quilos, num primeiro momento não dei muito crédito não. Afinal, em toda a minha vida de repórter jamais vi critério de impedimento para atendimento médico-hospitalar de um paciente ser a questão do peso.

Pois num é que é verdade, meu povo! Afinal, estamos no governo do absurdo onde tudo pode acontecer, né mesmo? – até comprar respirador em loja de vinho! O repórter tinha até o memorando da Secretaria Executiva Adjunta de Atenção Especializada da Capital, criando essa proibição para atendimento na rede hospitalar de adolescentes acima de 45 quilos, assim como as reclamações feitas pelos próprios pais, contando como foi negado atendimento aos filhos apenas por estarem acima do peso.

E eu com essa cabeça viajandona que adora vivenciar a situação alheia, pensei logo na situação do cidadão ter que comprar uma balança e colocar em casa pra ficar controlando o peso dos filhos, senão eles não conseguirão atendimento em hospitais. Como isso é difícil em se tratando de adolescente que ama um sanduiche com batata frita e refrigerante.

Imagina gente que coisa esdrúxula os pais fazendo medo pros adolescentes controlarem o apetite “Se tu não parar de comer tanto, o dia que tu passar mal, num vai ser atendido no hospital viu!”. Situação surreal essa, né mesmo?

Mas como se não bastasse o absurdo da situação, uma simples busca em sites especializados sobre o peso ideal para adolescentes, dependendo da idade e da altura, desqualifica totalmente a decisão da Secretaria Executiva Adjunta de Atenção Especializada da Capital em restringir o atendimento aos adolescentes – pelo jeito a “especializada” não buscou se especializar no assunto.

Esses sites mostram que, dependendo da altura do adolescente de 15 anos, ele vai ter que pesar mais de 45 quilos, senão estará desnutrido. Então, quer dizer, que para a Secretaria de Saúde do governo de Wilson Lima, o adolescente para merecer atendimento especializado como manda o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), ele tem que ser baixinho para que a estrutura corpórea não pese muito ou então, se for alto, tem que estar desnutrido? É um absurdo!

E se o critério do limite de peso usado pela SES (antes chamada de Susam) para atendimento aos adolescentes é prova de desinformação, é imoral, é ignorante, é humilhante e inúmeros outros adjetivos, alguns impublicáveis, não precisamos nem nos alongar sobre a questão de legalidade.

Desrespeitar os direitos de crianças e adolescentes quanto a atenção especializada em saúde pública é desrespeitar a Lei Maior deste País, a Constituição da República, e isso, nem eu, nem você, sequer o presidente do pais, pode fazer, que dirá a Secretaria de Saúde do Governo do absurdo.