No Governo do novo, professores são transformados em “foras da Lei”

Num governo encabeçado por um jornalista – nem sabem o quanto me dói escrever isso! – Wilson Lima, e por um defensor público – e logo de causas coletivas! -, Carlos Alberto Almeida, os professores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) foram processados pelo governo e serão tratados como “foras da Lei” pela Justiça do Amazonas caso façam greve, um movimento de paralisação feito após serem seguidos todos os trâmites legais, como por exemplo, se esgotarem todas as tentativas de negociação e conciliação.

O Governo do novo, agindo exatamente como os governos velhos – Amazonino fez isso – entrou com pedido para que a greve dos professores fosse considerada ilegal e conseguiu uma liminar concedida pelo desembargador Elci Simões de Oliveira. Em sua decisão, o desembargador, mesmo lembrando que o servidor público tem o direito constitucional de greve, diz que certas categorias são privadas do direito de greve por se tratar de serviço essencial – isso deu em A Crítica que ainda jogou a “jaca” pra cima do TJAM, dizendo que “a justiça determinou a suspensão da greve”.

Assim como fez com os professores, não participando de reuniões de negociação e sumindo do Estado alegando “agenda política”, Wilson Lima se esconde atrás de uma liminar ao invés de ser transparente com os professores, mostrando claramente através de cálculos feitos pelos técnicos do governo porque, mesmo com o aumento de repasse de recursos do Fundeb por parte do Governo Federal, o reajuste dos professores não é possível.

O governo do novo bem que poderia provar, por a mais b, aos professores que o governo estaria ultrapassando os limites determinados pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para gastos com pessoal, caso desse o reajuste reivindicando pela categoria – não por acaso a mesma justificativa dada nos tempos de Melo e Amazonino.

Tenho certeza que os professores entenderiam, caso o governo deixasse claro que esse reajuste compromete as finanças do Estado. Se bem que ficaria complicado explicar, porque não cortam gastos com pessoal reduzindo o cabide de emprego do Estado, ao invés de querer economizar na data-base dos professores, num é mesmo gente?

Mas o que se tira de mais dessa atitude antipática e autoritária do governo é que Wilson Lima e seu vice agem pior que os velhos caciques porque eles, pelo menos, não se escondiam em tempos de crise.