No governo dos desumanos, mais uma história de dor e desespero por falta de tomógrafos nos hospitais do Amazonas

 

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Há meses que o Radar vem denunciando a falta de tomógrafos nos hospitais do Amazonas e mostrando o desespero e a dor de pessoas que precisam desse exame pra salvar a vida de alguém da família. E essa é mais uma dessas histórias que acaba de chegar ao Radar de euzinha Any Margareth, que me revoltam e que me fazem correr pro computador pra escrever. Afinal, a história de uma vida que pode ser levada daqueles que a amam pela falta de um simples tomógrafo, não pode deixar de ser contada.

Essa é a história de Moisés Alves Mota, de 40 anos casado, dois filhos pequenos pra criar, um homem trabalhador, um cristão, amado por sua família. Ele está em coma, após ter sofrido uma queda de aproximadamente três metros de altura. Moisés estava trabalhando, buscando o sustento de sua família. Ele é engenheiro elétrico, trabalhava na Amazonas Energia, mas foi demitido após a privatização.

Não resisto em fazer uma parada aqui na história de Moisés para lembrar que é a mesma privatização tão defendida por grande parte dos políticos do país, inclusive pelo presidente Messias Bolsonaro, aqueles que defendem o fim de empresas públicas por causa da corrupção e, ao invés de acabarem com a corrupção, fazem é acabar com as empresas estatais, entregando nas mãos dos empresários que, logicamente, visam o lucro acima de tudo. E essa situação não é diferente com a Amazonas Energia que demitiu um monte de trabalhadores, presta um serviço precário – pra não dizer expressão bem pior – e ainda quer um reajuste de tarifa de mais de 8% nas contas de energia dos amazonenses.

Mas, voltemos a história de Moisés. Preocupado com o sustento da família, Moisés recorreu ao pastor de sua igreja que conseguiu uns serviços elétricos pra ele fazer no prédio do templo – alguém deveria ter visto que as normas de segurança no trabalho tinham que ser cumpridas pra não colocar a vida desse homem em risco.

Foi fazendo este serviço, pensando em sua esposa e filhos, que Moisés caiu da escada, de uma altura de cerca de três metros. Foi encontrado desacordado por seus familiares e levado para o Hospital e Pronto Socorro João Lúcio por volta das 19:30h, conforme me contou seu irmão Rafael cheio de sofrimento perceptível na voz, ao telefone.

Tinha que fazer um exame de tomografia imediatamente, o que não foi feito, porque assim como em outros hospitais do Estado, o tomógrafo do João Lúcio não está funcionando – bom lembrar que estamos num período de pandemia onde o tomógrafo é vital pra saber o grau de comprometimento dos pulmões dos pacientes.

Mas no governo dos perversos e desumanos, não interessa quem está com Covid-19, porque é apenas mais um número nas estatísticas oficiais, números que na maioria das vezes não retratam a realidade, afinal pra eles não interessa a história de vida e de morte dessas pessoas.

Esse é também o caso de Moisés que foi deixado no tal do setor de politraumas do João Lúcio sem atendimento, já que segundo os médicos era necessária uma tomografia, mas o tomógrafo não estava funcionando. Então, a família e amigos se uniram e deram um jeito de levar Moisés para uma clínica particular e aí, depois de enfrentar a desumanidade e crueldade de um governo incompetente que não resolve há meses um simples problema de um equipamento para exame, Moisés ainda teve que ficar ate quase quatro horas da madrugada, agonizando, a espera da assinatura dos dois médicos que o atenderam em sua chegada ao João Lúcio.

“Lá no hospital disseram que meu irmão só poderia ser retirado dali com a liberação dos médicos e eles estavam fazendo cirurgia. E ficamos ali vendo meu irmão sofrer sem poder ser retirado daquele lugar. É como se essa gente não visse os outros como seres humanos, eles não se importam mais”, disse o irmão de Moisés ao telefone.

Mas eu me importo! E se depender de mim, vou contar quantas vezes for necessária a história de Moisés e de tantos outros cidadãos do amazonas e suas famílias que estão sofrendo numa saúde pública onde sobra corrupção e incompetência e falta humanidade. Vou escrever quantas vezes for preciso que todos são responsáveis pelo sofrimento dessas pessoas! Cadê o Ministério Público do Estado, o Fiscal da Lei? Cadê a Defensoria Pública pra defender o nosso povo? Cadê a Justiça desse Estado? É responsável quem não faz sua obrigação e é responsável quem se cala!

Durma com o barulho do Radar!