Noite da Resistência: pajé e cunhã porranga do Caprichoso dançam em defesa dos povos indígenas

O pajé Erick Beltrão e a cunhã Marciele Albuquerque foram aplaudidos pelo público presente na festa

pajé cunhã

Fotos: Glen Dinely

A cunhã-poranga, Marciele Albuquerque, e o pajé, Erick Beltrão, protagonizaram neste sábado (11) a Noite da Resistência, no Curral Zeca Xibelão. Os dois itens do Boi-Bumbá Caprichoso representam a força da matriz indígena no Festival Folclórico de Parintins e levantam a bandeira de luta contra todas as mazelas enfrentadas pelos filhos da grande floresta, sobretudo o garimpo ilegal e o desmatamento da Amazônia.

O Povo Caprichoso participou em massa da festa e testemunhou o brado do boi negro de Parintins. Comandada pelo talento e pela voz do Apresentador, Edmundo Oran, a galera azul entoou grandes clássicos do festival e deu o tom para as apresentações da bela guerreia e do curandeiro azul.

Para o pajé Erick Beltrão, o Caprichoso assume um papel crucial na luta pelos povos indígenas.

“Através da nossa dança e do nosso canto, assumimos essa responsabilidade de dar voz e visibilidade aos povos originários. Eles existem e resistem frente a todas as ações devastadoras atualmente. Nós nos unimos nesta luta em defesa da Amazônia”, destaca o pajé azul e branco.

A cunhã poranga, Marciele Albuquerque, chamou atenção para a falta de amparo aos povos indígenas, principalmente, aqueles que vivem isolados.

“Nós temos ciência de toda essa problemática e queremos erguer nossos punhos em todos os lugares, pois o Caprichoso é o boi das causas amazônicas, sabe da realidade enfrentada e, por isso, ergue seu canto de protesto e defesa, sobretudo daqueles que lutam por sua soberania”, enfatiza.

O presidente do Caprichoso, Jender Lobato, destacou o empenho dos itens individuais do bumbá em preparação ao Festival Folclórico.

“Hoje a noite foi protagonizada pela Marciele e pelo Erick e nós estamos muito confiantes no trabalho dos dois, assim como dos demais itens que estão numa sequência energética de ensaios técnicos e preparação física. Eu não tenho dúvida que a nação azul e branca se sente muito bem representada, assim como nós da diretoria”, ressalta.

Aniversariantes da noite

A festa também foi especial pelo aniversário dos grupos Corpo de Dança Caprichoso (CDC) e Troup Caprichoso, que comandaram o espetáculo coreográfico no palco do Curral Zeca Xibelão. Integrantes antigos, que marcaram época nos dois grupos, participaram da performance na noite.

O repertório da festa foi um show a parte, com toadas clássicas do Festival de Parintins que fizeram o público dançar, se divertir e matar a saudade do Boi Caprichoso. Jair Almeida, diretor coreográfico do bumbá, destaca que os grupos de dançarinos deixaram um legado vivo no Caprichoso.

“Eles deram início a todo este processo de criação e execução das coreografias e hoje nós temos orgulho de olhar para trás e perceber o quanto foram fundamentais para a construção e consolidação do ritmo do Boi-bumbá”, explica.

O Boi Caprichoso levará para a arena do Bumbódromo o tema “Amazônia, Nossa Luta em Poesia” nas noites de 24, 25 e 26 de junho.

(*) Com informações da Assessoria