Nos EUA, Bolsonaro fala em ‘buscas incansáveis’ para encontrar Dom Phillips e Bruno Pereira na Amazônia

Líder brasileiro discursou na Cúpula das Américas nesta sexta

O presidente Jair Bolsonaro, durante discurso na Cúpula das Américas - Patrick Fallon/AFP

O presidente Jair Bolsonaro, durante discurso na Cúpula das Américas – Patrick Fallon/AFP

Em discurso na Cúpula das Américas, nesta sexta (10), o presidente Jair Bolsonaro defendeu os esforços feitos para encontrar o jornalista Dom Philips e o indigenista Bruno Pereira, desaparecidos na Amazônia desde domingo (5).

“Desde o último domingo, quando tivemos a informação que dois cidadãos, um britânico, Tom Phillips, e o brasileiro Bruno Araújo, desapareceram na região do Vale do Javari, as nossas Forças Armadas e a Polícia Federal têm se destacado na busca incansável para alcançar uma dessas pessoas. Pedimos a Deus que sejam encontrados com vida”, afirmou, em pronunciamento na cúpula, em Los Angeles.

O presidente falou durante a segunda plenária dos chefes de Estado da cúpula, onde há espaço para que cada um deles aborde livremente sobre os temas que queiram destacar. O evento reúne mais de 30 delegações representando os países do continente.

O indigenista e o jornalista inglês desaparecerem no último domingo (5), quando transitavam pelo Vale do Javari rumo à cidade de Atalaia do Norte (AM). Bolsonaro já havia minimizado o episódio e classificado como “aventura não recomendada” a viagem dos dois pelo oeste do estado do Amazonas. Phillips estava realizando uma cobertura jornalística e contava com o apoio de Pereira.

Durante a semana, o governo foi criticado pela falta de uma força-tarefa dedicada à operação de busca. A Terra Indígena Vale do Javari é frequentemente alvo de invasões de garimpeiros ilegais.

Na quinta, o ministro da Justiça, Anderson Torres, tratou do desaparecimento de Philips e Pereira com representantes do Reino Unido e dos Estados Unidos. Também em Los Angeles, Torres teve uma reunião sobre a questão com Vick Ford, subsecretária de América Latina do Ministério de Relações Exteriores britânico. Ela pediu que o governo brasileiro faça de tudo para tentar encontrar os desaparecidos. O ministro disse estar empenhado nisso, e que ao menos R$ 500 mil já foram gastos na investigação e nas buscas.

“Expliquei para ela as dificuldades da região, como as grandes distâncias e as dificuldades de acesso ao local, que nem sempre são conhecidas por pessoas de fora da região”, disse o ministro da Justiça.

O tema também foi tratado em uma reunião com Jonh Kerry, assesor especial para mudanças climáticas dos EUA. Kerry também ouviu sobre as dificuldades do processo de busca e os esforços brasileiros.

Nesta sexta, Bolsonaro falou na plenária por cerca de dez minutos. Temas ambientais dominaram boa parte do discurso: ele buscou destacar o Brasil como um país que preserva as florestas, está pronto para investimentos em energias limpas e, ao mesmo tempo, é capaz de produzir grandes quantidades de comida.

“O Brasil alimenta 1 bilhão de pessoas. Garantimos a segurança alimentar de um sexto da população mundial. Uma realidade sem o nosso agronegócio, parte do mundo passaria fome”, afirmou. Apesar disso, a fome no próprio Brasil tem crescido. Um estudo do Ipea, órgão do governo federal, apontou que ao menos 33 milhões de brasileiros sofrem atualmente com a falta de comida.

Na plenária, ele voltou a elogiar o encontro bilateral que teve com o presidente Joe Biden. “A experiência de ontem como a de Biden foi simplesmente fantástica. Estou realmente maravilhado e acreditando em suas palavras e naquilo que foi tratado reservadamente”, afirmou, repetindo expressões que usou várias vezes desde ontem, em declarações à imprensa.

Ainda nesta sexta, o líder brasileiro tem encontros marcados com os presidentes Iván Duque, da Colômbia, e Guillermo Lasso, do Equador. No começo da tarde, será tirada uma foto com todos os chefes de Estado do encontro. Ainda nesta sexta, ele embarca para Orlando, onde inaugurará um vice-consulado e encontrará apoiadores no sábado.

Neste último dia de Cúpula das Américas, será firmada uma declaração sobre imigração, proposta pelos EUA, com medidas para tentar conter o fluxo de cidadãos latino-americanos que tentam entrar nos EUA de modo irregular.