“Nós somos coagidos a não falar nada”, diz enfermeiro do 28 de Agosto sobre falta de EPIs (ver vídeo)

Em mais um vídeo enviado ao Radar, um enfermeiro do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, localizado na avenida Mário Ypiranga, zona Centro-Sul de Manaus, denunciou, nesta segunda-feira (27), que os funcionários da unidade hospitalar são coagidos pela própria direção a não falar nada sobre a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Na manhã de hoje, um grupo de enfermeiros realizou uma manifestação em frente ao hospital 28 de Agosto pedindo para que sejam providenciados EPIs aos trabalhadores que vêm combatendo o novo coronavírus em péssimas condições.

Segundo o enfermeiro, que no vídeo se identifica apenas como Miro, os profissionais de saúde estão sendo impedidos de relatarem sobre o que se passa dentro da unidade de saúde.

“Eu acho um despreparo do governo de nos colocar na linha de frente, onde todo mundo precisa do nosso serviço e nós somos coagidos a não falar nada. A nossa diretora (do 28 de Agosto) é a primeira que diz que a gente não pode falar nada. Isso é uma calúnia, uma inverdade falando que temos material. Nós não temos”, denuncia o enfermeiro.

Desde janeiro deste ano, o Hospital 28 de Agosto está sendo administrado pela enfermeira Alessandra dos Santos. Segundo Miro, as doações de álcool em gel e outros equipamentos de proteção feitas por empresas privadas não chegam ao local.

“Cadê as doações de álcool em gel que a empresa doou? Não aparece. Tem que fazer uma vistoria na casa desses funcionários. Infelizmente a saúde está em colapso, está sucateada, nós não temos condições de serviços”, afirma.

“Eu entreguei minha escala, infelizmente eu não tenho condições de trabalho. Muitas pessoas vão morrer, mas é isso. Muitos colegas estregaram a escala, é só puxar na Susam. Não temos condições de trabalho, eles pagam R$ 1.500 e um cala boca que nós recebemos”, concluiu.