Nos últimos três anos, esquema de corrupção na saúde recebeu mais de R$ 406 milhões do Governo (ver vídeo)

alessandra-29-2

Após a deflagração pela Polícia Federal (PF) da operação ‘Maus Caminhos’, alguns poucos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Amazonas, pediram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para averiguar mais a fundo o rombo na área da saúde do Governo do professor José Melo. E parece que o ‘buraco’ é mais embaixo mesmo. E pior, é mais fundo. A Policia Federal investigou e afirma que o Instituto Novos Caminhos (INC), qualificado pelo Governo do Estado, em 2014, para administrar a unidade de saúde UPA Campos Sales, em Manaus, Centro de Reabilitação em Dependência Química – CRDQ, em Rio Preto da Eva e a UPA 24 Horas e Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga, teria sido utilizado para fugir de procedimentos licitatórios regulares e permitir a contratação direta de empresas prestadoras de serviços de saúde.

A PF informou que, nos últimos dois anos, cerca de R$ 220 milhões em recursos públicos destinados à saúde do Amazonas foram repassados à referida instituição.No entanto o que ainda não se investigou são os demais contratos que as três empresas ligadas ao INC têm com o Estado de forma direta, sem intermediador.

Na tribuna da Assembleia Legislativa, a deputada Alessandra Campelo (PMDB), apresentou um levantamento com todos os gastos do Governo do Estado, através da Secretária de Saúde (Susam), e sua contas mostram cifras ainda maiores repassadas diretamente para às empresas Salvare, Simea e Total Saúde. “Será que com todos esses valores não podemos investigar esses contratos? ”, disse Alessandra questionando os motivos para que a grande maioria dos deputados tenha se negado a assinar a CPI.

Os valores citados pela deputada peemedebista são da junção dos contratos diretos das três empresas com o estado durante os anos de 2014, 2015 e 2016. Ao todo foram gastos com as três empresas mais de R$ 186 milhões de reais, além dos R$ 220 milhões já investigados. A parlamentar informou que, só neste ano, já apresentou oito ofícios ao Secretário de saúde Pedro Elias pedindo explicações sobre esses contratos, porém todos foram rejeitados.

A junção dos relatórios de pagamentos aponta que, em 2014, o Estado tinha gasto com a empresa Simea cera de R$ 6,8 milhões. Já na empresa Salvare Serviços Médicos LTDA, o valor dos pagamentos ultrapassou os R$ 12 milhões. No relatório referente aos pagamentos a empresa Total Saúde Serviços Médicos e Enfermagem LTDA, constam o gasto no valor de R$ 34,5 milhões.

O levantamento mostra que só a empresa Total Saúde tinha, no período de 2015, contratos que somam mais de R$ 51,2 milhões. Para o mesmo período, consta nos relatórios de pagamento disponíveis na Secretária Estadual de Fazenda, a empresa Salvare recebeu o montante de mais de R$ 18,5 milhões. Ainda em 2015, consta nos relatórios de pagamento, que a empresa Simea recebeu R$ 319,6 mil.

Em 2016 os pagamentos não pararam. A empresa Simea registrou um gasto de R$ 4 milhões dos cofres públicos. A Salvare não ficou por baixo e contou com R$ 26 milhões da saúde do Amazonas. E com a Total Saúde o estado gastou pouco mais de R$ 33 milhões de reais neste ano.

Não tem para onde fugir!

O secretário Pedro Elias foi convocado pela ALEAM, a pedido do deputado José Ricardo. Em requerimento apresentado pelo parlamentar, o gestor é convocado para explicar os desvios de recursos públicos do Fundo Estadual da Saúde relatados na Operação da Polícia Federal, “Maus Caminhos”, assim como os critérios utilizados para contratações das empresas envolvidas nesse esquema.

Surpreendentemente, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Josué Neto, que sempre engavetou todos os pedidos para que Pedro Elias fosse ao plenário do Legislativo para tratar do caos na saúde pública, agora aprovou a convocação do secretário sem nem mesmo precisar o requerimento ser posto em votação plenária. Mas,a data para isso acontecer, tomo mundo diz não saber! Mas o que planejam mesmo é empurrar o caso com a barriga até depois das eleições e, dependendo do resultado nas urnas, o requerimento de convocação do secretário pode até ir parar no “arquivo morto”.