Nosso futuro, na cabeça, no coração e em suas mãos!

democracia01_288x250111200_2Toda eleição, lembro da minha mãe, uma mulher que só tinha o segundo ano do primário, aquele grau de ensino que a gente chama hoje em dia de terceiro ano do fundamental mas, que mesmo “tropeçando” nas palavras, meio que soletrando, lia tudo o que lhe chegava as mãos. Um certo dia, imaginem, a encontrei lendo o manifesto comunista antes mesmo que eu soubesse o que era isso. Uma cabocla silenciosa, mulher de poucas palavras, mas que era capaz de conversar sobre qualquer assunto, desde os ensinamentos bíblicos até os temas políticos. E essa mesma mulher povoa até hoje meus pensamentos em dia de eleição.

Em uma ocasião, com ar extremamente triste, ela me contou como se preparava para ir votar – infelizmente nasci e cresci em pleno período de Ditadura Militar quando nos tiraram o direito do voto. Minha mãe me disse que passava na véspera um de seus melhores vestidos, escolhia um sapato bonito, e até o adorno que ia usar em seus cabelos negros e longos. Era um verdadeiro ritual em dia de votação. Ah! Já ia esquecendo algo fundamental nesses dias. Numa das mãos ela manuseava um terço de oração e levava consigo para o momento de votar. E, decidi perguntar: “Mas, mãe, pra que tudo isso? A senhora não ia só votar”. E a resposta foi uma das maiores lições da minha vida e uma lembrança que jamais me sai da cabeça em dia de ir às urnas.

Ela me falou sobre a importância desse ato, sobre a luta das mulheres pelo direito ao voto feminino, como a Democracia pode ter seus erros, mas ela ainda achava a melhor forma de governo para que os cidadãos livremente pudessem escolher quem ia administrar sua cidade, seu País. Ela me falou do orgulho que tinha quando ia as urnas se sentindo a dona do seu destino e como pensava em tudo que deveria ser melhor para as pessoas. “Você tem que buscar em seu coração o bem de todos. Não pode ser egoísta. Tem que pensar nos seus filhos, na sua família, mas também no seu vizinho, nos seus amigos e até naquelas pessoas que você não gosta muito. Tem que lembrar do que esses homens já fizeram de bom, o que eles também podem fazer, se tão preparados para representar seu povo”, definiu minha mãe, com lágrimas nos olhos.

O terço, segundo ela, era rezado na ida e na volta da urna, pedindo a Deus sabedoria na hora do voto e que a escolha tivesse sido correta. O sentimento daquela mulher nunca mais saiu de mim. Assim como uma frase também dita por ela. “Essa é maior festa que alguém pode participar”. E essa é a nossa festa no dia de hoje e o que desejo é que todos em suas mentes e corações, assim como ela pontuou, tenham decidido o que é melhor pra nossa terra e pra nossa gente. Que Deus ilumine o caminho até a urna e que em suas mãos esteja a decisão de prosperidade para o Amazonas. Infelizmente, ela se foi antes que a Democracia fosse instalada de novo nesse País, mas o ensinamento que ela deixou faz eu ainda acreditar nessa grande festa da Democracia. (Any Margareth)