“Nova Susam” (agora SES), terá 12 secretários que custarão R$ 1,7 milhão por ano aos cofres públicos do Amazonas

Foto: Diego Peres/Secom

A nova estrutura organizacional da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), traz uma novidade de deixar qualquer um boquiaberto. O governador do Wilson Lima (PSC) achou necessário que o órgão que gere a saúde pública do Estado tenha agora quatro secretarias executivas e sete secretarias adjuntas, ou seja, sete secretários.

Antes do programa “Saúde Amazonas”, a então Susam contava com apenas cinco gestores: o secretário de Saúde, o secretário executivo e os adjuntos do Fundo do Estadual de Saúde (FES), da Capital e do Interior.

Em consulta ao Portal da Transparência, o Radar Amazônico constatou que o valor dos salários pagos para cada cargo são: R$ 28.560,00 (vinte e oito mil e quinhentos e sessenta reais) para secretário de Estado de Saúde; R$ 12.500,00 (doze mil e quinhentos reais) para secretário executivo; e R$ 9.500,00 (nove mil e quinhentos reais) para secretário executivo-adjunto. Ou seja, por mês o valor gasto para pagamento de salário dos 12 servidores é de R$ 145 mil de verba pública. Se pegarmos esse valor e multiplicarmos pelos 12 meses do ano, o governo de Wilson Lima gastará com apenas 12 cargos, o valor  de R$ 1,7 milhão.

Para dar apoio ao novo titular da pasta Marcellus José Campêlo, conforme a SES-AM, o novo corpo de colaboradores do órgão de saúde está organizando da seguinte forma:

  • Nivia Barroso de Freitas – Secretário Executivo do Fundo Estadual de Saúde (FES);
  • Silvio Romano Benjamin Junior – Secretário Executivo de Controladoria de Saúde;
  • Thales Stein Schincariol – Secretário Executivo de Assistência da Capital;
  • Cássio Roberto do Espírito Santo – Secretário Executivo de Assistência do Interior;
  • Marcos Vinícius Brito Martins – Secretário Executivo Adjunto de Gestão Administrativa;
  • Adriano Augusto Gonçalves Marques – Secretário Executivo Adjunto de Orçamentos e Finanças;
  • Francisco Lourenço Duarte Arce Júnior – Secretário Executivo Adjunto de Tecnologia da Informação;
  • Nayara de Oliveira Maksoud – Secretária Executivo Adjunto de Políticas em Saúde;
  • Moab Sherlan Valente Amorim – Secretário Executivo Adjunto de Atenção a Urgência e Emergência;
  • Márcia Florinda Rosas Murad de Souza – Secretária Executiva Adjunta de Assistência Especializada da Capital;
  • Rita Cristiane dos Santos Almeida Vasconcelos – Secretária Executiva Adjunta de Descentralização e Regionalização Assistencial do Interior

O Radar também verificou no portal oficial da secretaria o organograma onde fica demonstrado que a estrutura do órgão está desatualizada. Segundo o portal, os dados mais recentes são referentes ao ano de 2017.

 

Inconsistências

Desde o começo das investigações realizadas pelos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), a população amazonense pôde observar que o órgão público de saúde do Estado possui diversas irregularidades, tanto nos processos administrativos quanto na ineficiência dos servidores da secretaria.

Nas duas últimas semanas, a CPI da Saúde ouviu 13 depoentes ligados à Organização Social (OS) Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), à Zona Norte Engenharia, Manutenção e Gestão de Serviços – Parceira Público-Privada (PPP) e a Susam.

Segundo o presidente da CPI, deputado Delegado Péricles Nascimento (PSL) na oitiva que ouviu o ex-secretário executivo Perseverando da Trindade no dia 28 de agosto, os depoimentos demonstram a ineficiência de gestão mínima exercida pelos servidores da Susam.

“Está mais do que claro que a gestão da Susam é ineficiente. Não há uma administração mínima necessária para cuidar da saúde do povo amazonense. Estão sendo gastos mais de R$ 16 milhões dos cofres públicos por serviços que não estavam sendo prestados em sua totalidade”, declarou o deputado.

Levando-se em conta a nomeação de 12 secretários para a Susam, Wilson Lima parece achar que o problema da Susam não é falta de gestão e excesso de ilegalidades, mas sim falta de chefes e necessidades de mais gastos com dinheiro público

Sem resposta

O Radar Amazônico procurou a assessoria da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas solicitando esclarecimentos. Em nota, a SES-AM orientou que demandas deste porte são respondidas diretamente pela Secretaria de Estado de Comunicação (Secom). O Radar solicitou novamente os esclarecimentos e aguarda retorno da Secom.

Resposta tardia

Em nota enviada por volta das 10h da manhã desta quinta-feira (3), a Secretaria de Comunicação do Estado alegou que não houve aumento de gastos ao Estado (contração de 12 secretários), pois “não houve criação de novos cargos, foram apenas remanejados de outros órgãos. Quanto aos valores, não houve qualquer alteração dos salários vigentes dos secretários executivos e executivos adjuntos”.