Nova variante da Covid derruba bolsas, petróleo e criptomoedas

Agentes de saúde fazem bloqueio sanitário nesta quinta (25) na saída de estação de trem em Xangai, na China, para rastrear novos casos de Covid-19 - Aly Song/Reuters

Agentes de saúde fazem bloqueio sanitário nesta quinta (25) na saída de estação de trem em Xangai, na China, para rastrear novos casos de Covid-19 – Aly Song/Reuters

O temor de que uma nova variante do coronavírus possa ser resistente a vacinas, o que exigiria medidas de contenção que vão afetar a economia, abala mercados financeiros pelo mundo ao longo desta sexta-feira (26), provocando fuga de ativos considerados mais arriscados. Bolsas, câmbio, criptomoedas, juros futuros e preços de commodities, especialmente o petróleo, são afetados.

O Ibovespa, índice de referência para a Bolsa de Valores brasileira, caiu 3,39%, a 102.224. O dólar comercial fechou em alta de 0,53%, a R$ 5,5950. Na máxima do dia, a divisa chegou a saltar a R$ 5,6730.

As commodities mais importantes para o mercado brasileiro também sofriam o impacto, com destaque para a forte queda do petróleo. O barril do Brent afundava 11,55%, a US$ 72,72 (R$ 406,20), a menor cotação desde 9 de setembro, quando a commodity fechou em US$ 71,45.

Os contratos futuros de minério de ferro para janeiro de 2022 desabaram 4,87%.

Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram 2,53%, 2,27% e 2,23%, respectivamente.

O mercado de criptomoedas também sofreu o impacto. A cotação diária do bitcoin cedeu 8,36%, a US$ 54.259,93 (R$ 303.090,54). O ethereum perdeu 9,86%, a US$ 4.076,30 (R$ 22.769,80).

O Brasil seria especialmente prejudicado por novas medidas de restrição de circulação para conter uma nova onda da Covid-19, segundo Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. “Uma nova paralisação reduziria drasticamente a perspectiva de crescimento para os próximos anos, que já não é grande coisa”, diz.

João Leal, economista da Rio Bravo, destaca que o Brasil desenvolveu ao longo da pandemia mecanismos para “evitar uma retração econômica mais intensa” e que essas medidas ainda existem.

O governo precisaria, porém, gastar mais em um momento em que o risco de desequilíbrio fiscal já vem derrubando os investimentos nas empresas do país. “Haveria nova necessidade de estímulos fiscais e monetários”, diz Leal.

Os juros futuros recuaram no Brasil e nos Estados Unidos devido à expectativa de que uma nova onda de contaminações atrase a retomada econômica, o que desaceleraria a inflação e faria as autoridades monetárias dos países reavaliarem suas perspectivas de elevação das suas taxas básicas.

“O pânico impõe cautela no meio dos investidores, que, temerosos pelo avanço da nova variante do vírus mundo afora, se afastam do risco e se refugiam nos ativos que representam segurança”, escreveu Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

Na Ásia, o mercado de ações em Tóquio caiu 2,53%. A Bolsa de Hong Kong cedeu 2,67%. O índice CSI300 (Xangai e Shenzhen) recuou 0,74%.

O mercado acionário europeu fechou em forte queda. O índice Stoxx 50, que reúne grandes empresas da região, caiu 4,74%, e registrou a menor cotação desde 14 de outubro.

As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt recuaram 3,64%, 4,75% e 4,15%.

Pouco se sabe sobre a variante, detectada na África do Sul, em Botswana e em Hong Kong, mas cientistas dizem que ela tem uma combinação atípica de mutações, que pode ser capaz de evitar respostas imunológicas e que seria mais transmissível.

O mercado acionário europeu já estava sob estresse nesta semana uma vez que o ressurgimento de casos de Covid-19 levou a novas restrições em vários países.

O Reino Unido anunciou proibição temporária a voos da África do Sul e de vários países vizinhos. A União Europeia planeja movimento similar.

AÇÕES LIGADAS A TURISMO DESABAM E FARMACÊUTICAS DISPARAM NOS EUA

Entre as empresas listadas no S&P 500, referência do mercado americano, companhias de turismo e de transporte aéreo lideraram as quedas.

As companhias de cruzeiros marítimos Royal Caribbean, Norwegian Cruise e Carnival perdiam 13,22%, 11,36% e 10,96%, respectivamente. As aéreas United, American e Delta recuavam 9,57%, 8,79% e 8,34%.

As farmacêuticas que estão entre as principais desenvolvedoras de vacinas e medicamentos contra a Covi-19 lideravam as altas. A Moderna disparava 20,57% e a Pfizer avançava 6,11%.

MERCADOS DA CHINA FECHAM EM BAIXA

As ações da China fecharam em baixa nesta sexta, refletindo a preocupação com a nova variante e os casos domésticos de Covid.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve queda de 0,74%, enquanto o índice de Xangai caiu 0,56%.

Na semana, o CSI300 perdeu 0,6%, mas o índice de Xangai teve ganho de 0,1%.

Uma série de casos locais de Covid-19 em algumas partes da China levou a cidade de Xangai a limitar as atividades turísticas e uma cidade próxima a cortar serviços de transporte público.

Isso derrubou as ações de turismo e as de consumo básico em 1,8% e 0,8%, respectivamente.

As ações relacionadas a semicondutores e de energia lideraram as perdas. Os subíndice imobiliário, de energia e de semicondutores caíram entre 1,2% e 2,8%.