Nove deputados assinam pedido de CPI para investigar empréstimo milionário da Afeam; Governo afasta diretores

aleam_concursados-em-677x381-copy‘Investimento milionário e de alto risco que indica indício de má-aplicação de recursos públicos’. Uma frase com esses termos já é comum no governo de José Melo (Pros), porém, agora o cerco se fechou de vez. Os deputados de oposição na Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE) conseguiram assinaturas suficientes – nove ao todo – para instalarem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e já enviaram à Mesa diretora da Casa, para investigar a Agência de Fomento do Amazonas (Afeam), por causa da aplicação de R$ 20 milhões na empresa TransExpert.  Essa empresa é do Rio de Janeiro e é investigada pela Policia Federal por ser usada em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e transporte de propina do ex-governador do Rio, Sergio Cabral. Nesta segunda-feira (21), o TCE determinou, através de medida cautelar, o bloqueio de bens dos diretores da Afeam

Nove deputados assinaram o requerimento: os autores Alessandra Campelo (PMDB), Vicente Lopes (PMDB), José Ricardo (PT), Luiz Castro (REDE), e Wanderley Dallas (PMDB), subscrito pelos deputados Cabo Maciel (PR), Platiny Soares (DEM), Sinésio Campos (PT) e Bosco Saraiva (PSDB). Todos a favor de se investigar mais um rombo nos cofres do Estado. (ver documento no final da matéria)

“Estamos criando essa CPI para apurarmos o investimento de R$20 milhões em pleno momento de crise econômica no país e no Amazonas. O dinheiro público foi aplicado em uma empresa que sequer tem autorização da Policia Federal para transportar valores”, disse Alessandra Campelo, ao destacar que o investimento foi feito por opção do Estado que comprou cotas para ser um dos sócios dessa empresa, que ela classificou como falida.

A deputada lembrou ainda que essa empresa não gerou nenhum tipo de emprego e renda para o Amazonas, apenas prejuízos. “o investimento foi alto em uma empresa que não traz qualquer resultado para o desenvolvimento do Estado. A Assembleia vai fazer seu papel de investigar e punir os culpados combatendo o desvio de recursos públicos”, destacou.

O deputado Serafim Correa (PSB), justificou a sua não assinatura a CPI dizendo que apenas apresentará sugestões aos autores do Inquérito para que outros contratos sejam investigados.

O líder do governo de José Melo, na ALE, deputado David Almeida (PSD), que hoje estava de um lado para o outro – tipo dança da barata voa, sabe né gente? –  disse que o diretor-presidente da Afeam, Evandor Geber Filho, comparecerá amanhã no Plenário para prestar esclarecimentos aos deputados sobre as ações da Agencia de Fomento do Estado.

“Após a vinda do diretor da Afeam vou trazer novos fatos que até eu, como líder do governo, vou assinar a CPI. Não temos que ver apenas um contrato, temos que apurar outras operações que até hoje não foram quitadas”, usando a estratégia de se defender com ataque, querendo visivelmente colocar ex-governadores na manja.

Paralelo ao fechamento dessa matéria chega a notícia de que o governo afastou nesta tarde de terça-feira (22), a diretoria da Afeam, numa clara manobra de se blindar de possíveis investigações, como faz desde a época das eleições em que todos os membros do Governo do professor Melo que se veem envolvidos em escândalos de corrupção somem de cena.

A informação veio por meio de nota da Secretaria de Comunicação (Secom) informando que, por determinação do governador do Amazonas, José Melo, o governador em exercício Henrique Oliveira, assinou nesta terça-feira um decreto que afasta, preventivamente, a diretoria da Afeam.

Serão afastados o diretor-presidente Evandor Geber Filho, o diretor de Crédito, Marcos Paulo Araújo Vale, e o diretor de Administração, Finanças e Tecnologia, Arthur de Brito Alencar Cavalcante.

O pedido de CPI foi recebido de forma oficial, hoje e, nos próximos três dias, o requerimento para a criação do Inquérito será encaminhado pela mesa diretora à procuradoria da Casa. Segundo o presidente da Casa Legislativa, deputado Josué Neto, a procuradoria que vai dizer se há algo errado, ou não, com o pedido de CPI nos termos de viabilidade jurídica. O prazo para instauração não passará de 15 dias para se dar inicio às investigações. Agora é ver para crer!

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