Num discurso confuso, Pazuello fala em “prioridade” para Manaus, mas na mesma frase desdiz o que falou (ver vídeo)

O pronunciamento do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, nesta quarta-feira (13) parece ter deixado muita gente confusa, levando-se em consideração as notícias divulgadas por veículos de comunicação locais e nacionais, alguns deles ligados ao governo de Messias Bolsonaro – logicamente que há casos em que as notícias confusas são propositais. Os veiculos de imprensa divulgaram que Pazuello teria voltado atrás naquilo que declarou, durante visita ao Amazonas, e agora teria dito que o Estado será prioridade, levando-se em conta os níveis críticos de contaminação pelo novo coronavírus e até por mutações do vírus que estão sendo detectadas e o número cada vez maior de mortos.

O general, em seu pronunciamento, pela primeira vez, afirma que a vacinação no Brasil vai começar em janeiro – antes ele sempre falava dessa data como mera “previsão” – e diz que “Manaus será também a primeira a ser vacinada. Ninguém receberá a vacina antes de Manaus”.

Mas logo depois, bem ao estilo do governo de Messias Bolsonaro, o ministro desdiz aquilo que tinha dito. Manaus pode não receber a vacina depois, mas também não receberá antes e nem terá um esquema diferente de armazenamento e distribuição, levando-se em consideração que o Amazonas chega a ser maior que certos países, com enormes distâncias, dificuldades de locomoção e de logística, lembrando que a vacina precisa ser mantida em determinadas condições de temperatura.

Na mesma frase, o ministro general aumenta a confusão linguística e depois de dizer que Manaus seria a primeira a ser vacinada, ele arremata falando que “a vacina será distribuida simutaneamente em todos os Estados na sua proporção de população”. E, falando daquele jeito que patente alta fala com subalterno, ele pergunta: “Ficou claro?”

Tudo como dantes…

Para desfazer a confusão, veículos da grande imprensa nacional foram atrás de falar com o ministro general Eduardo Pazuello na tentativa de entender o que ele disse. Trocando em miúdos, o general explicou que continua como dantes no quartel de Abrantes. O ministério esclareceu que a vacinação em Manaus ocorrerá como em outros locais do país, de forma “simultânea e proporcional” e que não haverá diferença de data e nem de quantidade de doses em comparação com outras cidades. Haverá apenas diferença de horário, por causa do fuso.

Manaus registrou mais de 2 mil casos de Covid-19 em 24 horas e atingiu mais um recorde de mais de 166 enterros por dia. No total, o Amazonas tem 218.070 casos de infecção pelo novo coronavírus e 5.810 mortos por Covid-19.