Num golpe de mestre, Melo se manteve em cima do muro, ganhou votos de Dilma e Aécio e deixou a “conta” política para Artur pagar

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Não se sabe como – não me pergunte porque essa tá difícil! – mas o governador (agora reeleito) José Melo conseguir “levar no bico” até mesmo o prefeito Artur Neto, considerado, nacionalmente, “rei” da estratégia política, o diplomata e então senador que tinha discurso até mesmo para ter prestígio com os ministros de Lula, de quem sempre foi opositor. E foi assim que Melo empurrou com a barriga, durante todo o primeiro turno das eleições para o Governo do Estado, a decisão de quem apoiaria, se Dilma (PT) ou Aécio (PSDB).

Fazendo aquela sua cara de “bom e humilde velhinho”, convenceu Artur de que só assim teria chances de vencer Braga, já que com a decisão de não tucanar conquistaria a simpatia de parte do PT que fez parte do seu Governo, e ainda atrairia o apoio dos simpatizantes de Aécio Neves. Mexeu com os brios de Artur Neto ao mostrar como seria humilhante a máquina pública do Governo e da Prefeitura perder para Braga – e nem vamos contar aí com o apoio ainda da Câmara presidida pelo tucano Bosco Saraiva e com a Assembleia Legislativa presidida por Josué Neto do PSD de Omar. Lembrou ainda de quando Braga lhe tirou sua cadeira de senador ao eleger Vanessa Grazziotin e por aí foi implantando a discórdia na cabeça do antes tão racional estrategista Artur Neto.

E Artur engoliu o seu discurso de que só apoiaria o candidato ao Governo que fizesse palanque no Amazonas para Aécio Neves e fez o incalculável para que Melo fosse para o segundo turno, até enviando para outro município, Manacapuru, máquinas da Prefeitura de Manaus para asfaltar vias daquela cidade que estavam intransitáveis e ameaçavam ser motivo para que o governador perdesse votos. E veio o segundo turno, e Artur ensaiou revolta pela falta de definição de apoio do governador ao seu presidenciável, fez cara de aborrecido na imprensa, cobrou uma definição, e quando ela não veio, mandou retirar das ruas placas suas junto Melo e ameaçou não sair no Horário de Propaganda Gratuita pedindo votos para o governador.

Mas, mesmo assim, Melo se manteve na mesma posição: em cima do muro. E ainda posou de democrata na imprensa dizendo não se sentir confortável em indicar para o eleitor que votasse nesse ou naquele presidenciável. O voto era livre e secreto e mais um monte de blá,blá,blá.

E, pasmem, o grande e exímio articulador Artur Neto foi levado no bico de novo. Ou então seu afã por vencer Braga era maior do que sua tarefa como coordenador estadual de campanha de Aécio de fazer seu presidenciável vencer no Amazonas. O prefeito apareceu sim pedindo votos para Melo na propaganda política durante todo o segundo turno e Melo calado estava e calado ficou. Venceu as eleições e resta agora a Artur Neto explicar para a cúpula do seu partido porque Dilma conquistou quase o dobro de votos do seu adversário no Amazonas, cerca de 500 mil votos que ajudariam, e muito, o presidenciável tucano que perdeu a eleição por uma pequena diferença de 3%, dada pelo Norte e Nordeste. Resta agora ao prefeito pagar essa “conta política” e esperar que o governador Melo cumpra a promessa – segundo fontes do Radar – de pagar uma conta de milhões para a Prefeitura de Manaus para que Artur continue fazendo obras e conquistando popularidade. Será que vai pagar ou vai ficar em cima do muro? (Any Margareth)