O asfalto de R$ 310 milhões do nosso bolso que não chega pra todos em Manaus

Asfalto do conjunto Morada do Sol (esquerda), e as ruas do bairro Lírio do Vale (direita). Foto: Reprodução Instagram

Vou logo adiantar, já que tem gente que parece fazer questão de não entender, que não sou contra asfaltamento seja em que bairro for. Pelo contrário, sou a favor do asfalto chegar para todos, bairros centrais de Manaus e bairros periféricos, nas áreas residenciais dos mais ricos ou dos mais pobres, já que cidadania não se vê pelo endereço e todos são cidadãos de Manaus e merecem o mesmo tratamento.

Mas, esse tratamento igualitário não parece estar sendo dado no caso do asfaltamento da cidade de Manaus. Se já era estranho contratar 15 empresas com gastos de mais de R$ 300 milhões para fazer o mesmo serviço, ficou ainda mais esquisito ver que esse fracionamento de licitação por várias empresas não serviu para que o serviço de asfaltamento da cidade chegasse ao mesmo tempo em diversos bairros de Manaus.

O Radar percorreu diversos cantos da cidade e não achou em outros lugares o mesmo serviço de recapeamento asfáltico que está sendo feito no conjunto Morada do Sol, uma das áreas de classe média alta de Manaus. Enquanto isso, todo dia chegam no WhatsApp do Radar reclamações de cidadãos que dizem ter dificuldade até mesmo de sair de casa, tamanha é a quantidade de buracos e o lamaçal.

Diante disso, pergunta-se: já que são 15 empresas contratadas para fazer o serviço de asfaltamento de Manaus, por que não se implantou esse serviço em vários bairros da cidade, ao invés de apenas no conjunto Morada do Sol? Qual o critério usado para escolher o conjunto Morada do Sol para o início do recapeamento asfáltico de Manaus, em detrimento de outras áreas com asfalto em condições muito mais precárias?

Essas mesmas perguntas já fizemos para a Prefeitura de Manaus, mas como de costume, ficamos sem respostas.