O Brasil que odeia!

Se tornou cada vez mais difícil lidar coma informação nos tempos atuais. Ser jornalista é viver, rotineiramente, entre a tristeza e a raiva. E pra quem acha que jornalista está imune a esse tipo de sentimento, que nós conseguimos lidar com a notícia com frieza e distanciamento numa função robótica de produzir matérias, eu digo que está redondamente enganado. Parafraseando Chaplin, no filme “O Grande Ditador”, afinal “não sois máquinas, homens é que sois”. E como homens e mulheres que somos não dá pra não enxergar a existência de um Brasil que foge a uma de suas principais característica de país paz e amor. Esse é um Brasil que odeia e do qual, confesso, não gosto nadica de nada.

E, pro desalento de quem pensa e sente como eu, infelizmente, o arauto do ódio é o próprio presidente dessa Nação, que sempre foi amada pelo mundo por sua capacidade de unir pessoas, de festejar, de ser feliz.

Foi esse Brasil do ódio que vi em matérias, neste final de semana, como por exemplo, do fechamento de garimpos ilegais. Garimpeiros hostilizam policiais federais e xingam de vagabundo um delegado da PF que nada mais está fazendo do que cumprir as Leis que proíbem garimpo em área indígena. Por meio de grupos de WhatsApp eles falam de ações criminosas, de tocar fogo em carros, de matar quem se coloca no caminho deles e até explodir helicópteros dos órgãos de fiscalização.

E bem no meio da matéria, eis que surge Messias Bolsonaro, mas não para colocar ordem na casa, falar que não admitirá violência, desordem, nem descumprimento a Constituição. Messias Bolsonaro se colocando em favor do garimpo em terra indígena e, com isso, incita ainda mais ódio dos garimpeiros contra tudo e contra todos aqueles que não estariam deixando eles “trabalharem”, nem que o resultado da ação deles seja transformar a Amazônia em terra arrasada, como aconteceu em Serra Pelada – o nome tem a ver exatamente com o solo arrasado, onde nada mais nasce.

E tento me convencer pra deixar pra lá, tentar esquecer aquele homenzinho que fala com se estivesse sempre babando de ódio, mas lá vem outra matéria. Eis que surge um acalento pro coração de quem deseja o bem, ao ver voltando pra casa, acompanhado da esposa e do filho, o aposentado Vamberto Castro, de 62 anos, que foi desenganado pelos médicos – expectativa de vida de um ano apenas – por causa de um linfoma, um tipo de câncer dos mais agressivos.

Isso só foi possível por causas de pesquisadores brasileiros do Centro de Terapia Celular da Universidade de São Paulo (USP) que desenvolveram um tratamento que consiste em usar células geneticamente modificadas para atacar o tumor, um tratamento que custa milhões nos EUA e que não está disponível na maioria dos países. O procedimento médico do Sr. Vamberto foi feito no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Mas nessa matéria de algo tão inspirador e feliz não aparece Messias Bolsonaro! E nem poderia, afinal o que iria falar um presidente que quase reduziu a zero os investimentos em pesquisa e que tem provocado o sucateamento da educação superior pública no País, deixando as universidades federais a pão e água?

Ele destrói tudo com seu ódio! E, em frente à televisão, eu luto para que esse sentimento de seres inferiores e infelizes, não me contamine!