O caos que poderia ter sido evitado

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O que se viu ontem em Manaus foram cenas de uma cidade em meio ao caos. Atos de protestos em vários pontos da cidade, barreiras policiais bloqueando a passagem dos manifestantes e, ao mesmo tempo, causando enormes engarrafamentos, e muita, muita confusão mesmo, pra todos os lados. E, mais uma vez, se chegou a esse ponto por apenas um motivo: falta de diálogo.

Aquele Wilson Lima, de fala fácil, quando era apresentador de televisão ou quando pedia voto e esculachava os adversários durante a campanha eleitoral, parece ter desaprendido a importância da fala. Tomou uma decisão de cima pra baixo quanto ao fechamento do setor comercial e tentou enfiar goela abaixo dos empresários do comércio seu decreto que obrigava todo mundo a fechar portas, ficando abertos somente os empreendimentos de serviços essenciais. O resultado foi ficar acuado, levando peia de todos os lados.

Quando da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Covid-19, no dia 23 de dezembro, onde estiveram representantes de diversos órgãos estaduais, como por exemplo a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), Ministério Público do Estado (MPE-AM) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), o governador poderia ter chamado a participar também os diversos representantes do setor comercial, colocando-os a par do que está acontecendo no Estado, dos altos índices de contaminação pelo novo coronavírus e da crescente ocupação dos leitos dos hospitais.

Mas, Wilson Lima só foi fazer isso nesse sábado, 26 de dezembro, quando o caos se instalou na cidade, causando tanta aglomeração quanto num daqueles dias de compras no centro de Manaus, em que gente sem reponsabilidade, nem consigo e muito menos com os outros, lota as lojas.

Foi convocada uma reunião com os representantes do comércio e, enfim, chegado a um acordo sobre flexibilizar o decreto, mas mantendo algumas restrições, como horários reduzidos, por exemplo, e a norma de que todos os estabelecimentos comerciais devem funcionar com limite de 50% de sua capacidade.

Em apenas um ato, Wilson Lima fez o caos se dissipar e agora pode ainda dividir a responsabilidade com os empresários por conter os índices de contaminação pelo novo coronavírus. Os empresários dizem que querem apenas o direito de trabalhar, mas vamos ver se cumprem o dever de fazer isso com responsabilidade.

Wilson Lima acertou quando usou a palavra como arma, mas poderia ter feito isso antes!