O deputado garoto-propaganda e o ensino à distância da Seduc

Estava assistindo a sessão plenária da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nessa terça-feira (30), pela TV Legislativa e qual não foi minha surpresa quando o deputado recém-empossado no Poder Legislativo Estadual na vaga do deputado Josué Neto que foi para o TCE, Tony Medeiros, ocupou a tribuna e, no melhor estilo garoto-propaganda, avisou que ia passar um vídeo para mostrar, como desde 2007, o Amazonas avançou no ensino com mediação tecnológica implantado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que só no ano passado custou mais de R$ 53 milhões pagos a quatro empresas: DMP Design e Markting e Propaganda Ltda., VAT Tecnologia da Informação Ltda., Techlog Serviços de Gestão e Sistemas Informatizados Ltda., T I Log Tecnologia da Informação e Logística Ltda.

Achei que, enfim, eu iria ter os nomes, se não todos pelo menos alguns, das comunidades e das escolas aonde chegam o tal sinal do ensino com mediação tecnológica, também chamado popularmente de ensino a distância. Essas informações, dos municípios atingidos pelo Centro de Mídias, o Radar vem pedindo da Seduc há quase três anos sem conseguir resposta.

O vídeo institucional veiculado no telão do plenário da Assembleia Legislativa pelo deputado Tony Medeiros era um luxo só. Era igualzinho aquelas propagandas do governo de Wilson Lima que parecem só existir num universo paralelo. Escolas com estrutura excelentes mesmo em comunidades do interior do Estado, com crianças com fardamento impecável, parecendo muito bem alimentadas e todas assistindo aulas em grandes monitores de vídeo com acompanhamento do professor para fazer a orientação pedagógica.

Tanto no vídeo quanto no discurso do deputado foram repetidas as mesmas informações: “São 2.300 comunidades rurais e indígenas que são beneficiadas por essa tecnologia e mais de 300 mil estudantes beneficiados”. Mas, o vídeo chegou ao fim, e o discurso do deputado Tony Medeiros também, e nada de aparecer os nomes dessas comunidades atingidas pelo ensino a distância da Seduc, em que municípios ficam e quais os nomes dessas escolas.

E o Radar decidiu pedir essas informações ao deputado que, coincidentemente, é originário de um município do interior do Estado (Parintins) e que chegou a dizer em seu discurso que conhecia algumas dessas comunidades atingidas pelo ensino remoto da Seduc.

E sabe o que aconteceu gente? Nadica de Nada. A resposta da assessoria de imprensa do deputado quando o Radar perguntou ao deputado quais as comunidades atingidas pelo ensino com mediação tecnológica da Seduc foi: “ele disse que vai conseguir essa lista (de comunidades). Só não soube me dar o prazo”.

O Radar então perguntou quais as comunidades que ele disse conhecer de perto e que possuem o ensino a distância da Seduc. Já se passaram 24 horas e não veio resposta.