O desabafo da professora sobre a “Aula em Casa” da Seduc que custou mais de R$ 53 milhões (ver vídeo)

Em um vídeo postado em suas redes sociais, uma professora da rede estadual de ensino, que se identifica como Nalva Reis, faz um desabafo mostrando como os professores fazem pra participar do projeto “Aula em Casa” desenvolvido pela Secretaria de Educação do Amazonas para o qual foram pagos mais de R$ 53 milhões no ano passado para quatro empresas, VAT Tecnologia da Informação Ltda, DMP Design e Markting e Propaganda Ltda., Techlog Serviços de Gestão e Sistemas Informatizados Ltda., T I Log Tecnologia da Informação e Logística Ltda.

As declarações da professora foram uma resposta ao secretário de educação do Governo de Wilson Lima, Luis Fabian que, em entrevistas à imprensa, tem desqualificado as reclamações feitas pelos professores sobre a falta de estrutura dada aos educadores que participam do chamado “ensino com mediação tecnológica da Seduc”, onde as aulas são ministradas de forma on-line.

Nas entrevistas, o secretário minimiza a importância da atuação dos professores que estão trabalhando de casa dizendo que eles estão fazendo apenas “o acompanhamento desses alunos através de WhatsApp ou ligações telefônicas”. Luis Fabian deixa entender que o trabalho do programa “Aula em Casa” é feito na sua totalidade por professores do Centro de Mídias da Seduc.

Comentando a manifestação dos professores em frente à Assembleia Legislativa do Estado, o secretário disparou: “Esses professores que estão se manifestando na frente da Assembleia não são professores que têm que usar sua internet para ministrar as aulas”.

A resposta da professora Cris Andrade foi se manifestar, através das redes sociais, para mostrar sua indignação com as declarações do secretário. A professora lembra ao secretário que pra ter WhatsApp tem que ter internet, assim como ligação telefônica de celular não é feita de graça. A professora. “O senhor está muito mal informado sobre o nosso trabalho”, retruca a professora.

“O senhor acha que só esses 100 professores do Centro de Mídia é que trabalham?”, questiona a educadora, disparando: “Eles só preparam uma aula e é jogada essa aula na TV, no Youtube, naquele aplicativo “Sala de Aula” e o professor aqui que se vire”.

A professora mostra que passa o dia inteiro dentro de um quarto quente – se passar o dia com o ar-condicionado ligado vai ter que pagar um horror de energia elétrica – trabalhando com um notebook antigo que ainda foi dado aos professores, segundo ela nos anos de 2015 ou 2016 (governo de José Melo), usando um celular que ela teve que comprar e tendo que pagar internet do seu bolso.

A educadora diz que o secretário “está se fingindo de leso”. Ela mostra as várias turmas de alunos que monitora e orienta, assim como as atividades feitas com os estudantes. “As aulas que são transmitidas são muito rápidas e nem sempre o aluno consegue entender”, conta a professora, dizendo que são os profissionais de educação que têm que explicar as aulas do Centro de Mídias da Seduc para os alunos. Ela lembra que seus colegas professores estão passando pela mesma situação.

E, enquanto os professores enfrentam todas essas dificuldades, tem gente usando o tal “ensino com mediação tecnológica” para ganhar milhões dos cofres públicos.