O dia em que um triplex no Guarujá virou puxadinho


Que fique bem entendido que euzinha aqui, Any Margareth, não estou entrando no mérito se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve um julgamento justo ou não por parte de Sérgio Moro e os juízes da Lava Jato quanto a ser ou não o dono de um triplex no Guarujá, imóvel este que gerou uma de suas condenações. Se bem que esse meu faro de repórter até hoje desconfia muito de uma condenação, entre outras coisas, sem a existência de qualquer documento de propriedade do imóvel, levando em consideração a palavra do porteiro de um prédio e de um ex-diretor da OAS que conseguiu transformar uma condenação de 26 anos e sete meses de prisão em apenas três anos e seis meses como “prêmio” para acusações feitas ao ex-presidente. A delação lhe valeu a liberdade.

E, depois de vários meses ouvindo falar do tal triplex do Guarujá, quando enfim a imprensa decidiu mostrar como era o imóvel, lembro até hoje que fiquei embasbacada em frente à televisão. Que apartamento mais chinfrim meu povo! Vocês viram o cubículo que era aquela cozinha? E aquele quarto com dois beliches? Um cara que aceita um apartamento daquele como propina, além de ladrão é burro porque se sujar com uma porcaria daquelas! E ainda parar na cadeia por isso!

Pois esta semana, voltei a ficar embasbacada em frente à televisão. Mas desta vez com a mansão do filho do presidente Messias Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, com quartos suítes amplas, academia, piscina, e SPA com aquecimento solar. Um imóvel de R$ 6 milhões, no denominado setor de mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da Capital Federal. Estranhamente – pra não dizer coisa bem pior! – o senador registrou o imóvel em um cartório de uma cidadezinha (Brazlândia) da zona rural do Distrito Federal – ao contrário do triplex de Lula esse tem dono registrado viu gente!

Conforme matérias da imprensa nacional, está na escritura do imóvel que o filho do presidente já desembolsou de entrada mais de R$ 2, 87 milhões pelo imóvel, dinheiro que nem precisa ser economista pra calcular que, mesmo se não tivesse gastado um centavo de seu salário de deputado estadual da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), desde 2003, e de senador, a partir de 2018, daria para juntar a cifra milionária. Só de impostos e taxas referentes ao negócio, Flavio Bolsonaro pagou mais de R$ 181 mil.

A parcela mensal do financiamento do imóvel é de R$ 18,7 mil e o salário líquido do senador é de R$ 24,9 mil, ou seja, só de pagamento da parcela do apartamento vai quase todo o salário de Flavio Bolsonaro. E acredito que não há quem não se pergunte: e como ele faz pra sustentar a família no resto do mês? Será que estão boas as vendas da loja de chocolates? Ou será que o papai presidente está dando mesada?

São muitos os questionamentos e nenhuma as explicações, já que acabaram com a Lava Jato de quem poderíamos cobrar respostas, as mesmas respostas que a Lava Jato fazia questão de alardear pelos quatro cantos do País, durante suas investigações, sem contar com o vazamento de informações, áudios, vídeos até mesmo de interceptações telefônicas.

Porém, uma coisa está mais do que clara, diante da mansão de Flávio Bolsonaro, o tal triplex do Guajurá não passa de um puxadinho.