O Governo da maldade no País do Carnaval

Sei que vai ter gente me esculhambando e dizendo que estou defendendo bandido mas como já disse, várias vezes aqui no Radar, quando se passa da casa dos “enta”, quarenta anos pra diante, não se está mais preocupado com a aceitação alheia. Ou seja, pode esculhambar à vontade que a gente aceita de bom grado e até acha que está “causando”, tá meu povo!

Hoje pela manhã, me deparei na rua com um daqueles tabloides de cinquenta centavos, com a seguinte manchete “Da Vidal para o Caixão”. Na foto de capa, os corpos de três homens encontrados mortos num matagal do Tarumã, Douglas da Silva Costa e Breno Custódio de Jesus, ambos de 23 anos, e Edgar de Souza Ribeiro, de 29 anos.

Eles, segundo a polícia, são detentos que fugiram da penitenciária Raimundo Vidal Pessoa, se é que se pode chamar de penitenciária, escombros de uma cadeia desativada desde outubro do ano passado, um “buraco” escuro, fétido de urina e fezes humanas, onde esses detentos foram jogados sem água e comida, muitos sem roupa, numa situação que nem animal sobreviveria – cadê os milhões da Umanizarre para manter os presídios, “professor”?

Mas, os homens que comandam a política de segurança pública do Governo do “bom e humilde professor” Melo acharam normal jogar mais de 200 homens nesse “buraco” chamado de presídio, que foi visitado pelo Ministério Público do Estado (MPE-AM), pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), pela Comissão de Direitos Humanos da OAB e nem sei mais por quanta gente com pose de paladino da Justiça.

E todos saíram de lá falando dos horrores que viram lá dentro, torcendo o nariz para o odor de merda e urina que não conseguiram suportar por cinco minutos e falando que iam fazer e acontecer contra o Governo por impor uma espécie de “morte” lenta e imunda contradizendo todas as Leis de um País que (diz que) é um Estado de Direito, onde os preceitos constitucionais de garantia dos direitos individuais têm que ser respeitados e mais um monte de blá,blá,blá… interminável que não adiantou pra nada.

No final das contas, os detentos “monstros malvados” foram deixados no “buraco”, enquanto os “heróis bondosos” ainda estão sentados em volta de uma mesa discutindo quando o “buraco” Vidal Pessoa vai ser desativado.

Pelo buraco

Diz a polícia, que os detentos cujos corpos foram encontrados, fugiram por um furo no teto de uma cadeia onde o que não falta é buraco – e me pergunto quem não escaparia desse “buraco”? E foram mortos com os chamados sinais de execução, tiros no pescoço e na cabeça. Um deles também levou tiros nas costas. A única explicação dada pela polícia é o repetitivo “acerto de contas”. Acerto de contas é? Então tá!

Pra esses que acham que “bandido bom é bandido morto”, euzinha pergunto: De que bandido se está falando, do que roubou um celular ou do que desviou dinheiro da saúde pública? Sim, porque chegou ao Radar, caso do jovem que morreu naquela carnificina no Compaj e que estava lá pelo roubo de um celular. E ainda tem gente que escreveu nas redes sociais: “Quem mandou roubar!”

E ainda se tem um governador que vai pra rádio, dar entrevista sem ser questionado pelo “entrevistador”, ao falar o absurdo – pra não dizer palavrão bem pior, tá “professor”? – de que entre os mortos do Compaj “não tinha nenhum santo”. E tem santo num governo que autoriza pagamento de milhões desviados da saúde, causando a morte de tanta gente sem assistência médica?

Como classificar – de santo é que não é, seu “professor”! – um governo onde Melo e políticos aliados tiveram suas campanhas eleitorais bancadas por uma empresa, a Umanizzare, que depois recebeu milhões desse mesmo governo para “administrar” presídios no Amazonas, os mesmos presídios onde homens foram decapitados e queimados vivos.

Quem são os “monstros” dos quais tanta gente, quase em coro, falou nas redes sociais? Até entendo, que assim seja chamado estupradores e assassinos de crianças, mas vou repetir a pergunta, afinal quem é o “mostro”, o que roubou o celular, ou aqueles que roubaram a saúde e provocaram a “morte coletiva” de doentes? Mas, pra tanta gente, isso é o que menos interessa porque os “monstros” fogem da Vidal Pessoa e vão parar no caixão, enquanto que os “santos” que roubaram a saúde pública já saíram quase todos da cadeia, que não era um “buraco” igual a Vidal Pessoa. Estão nas ruas, brincando o Carnaval! (Any Margareth)