O governo do desestímulo e da desesperança

Uma resposta a ser respondida, todos os dias, nos tempos atuais: como viver sem estímulo e sem esperança? Esse é o Brasil que tem existido nos últimos anos. É o Brasil em que os humanos, nem tão humanos como deveriam ser, têm criado o sofrimento e as tragédias, mas culpam Deus – foi Deus quem quis assim, dizem uns – ou o demônio – “isso é o demônio agindo”.

As tragédias que temos vivido nada mais são do que uma mistura da falta de estímulo e esperança que têm sido implantados todos os dias, como se fosse um mantra, repetido milhares de vezes, incutindo ideias sombrias na cabeça do nosso povo. Os exemplos estão aí pra quem quiser ver.

Nos tempos mais duros de pandemia quando morriam centenas e até milhares de pessoas por dia, o discurso que deveria ser de estimular: cuide de si e do seu próximo, use máscara e não aglomere. Deu lugar ao fatídico: “Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. Essa é a vida”, dito pelo presidente Messias Bolsonaro em uma entrevista na TV.

Enquanto o mundo ansiava por uma vacina, o discurso era de desestímulo, com a utilização de notícias falsas sobre os imunizantes quando na verdade a questão era a propina que ainda não tinha sido definida. E o que aconteceu foi que perderam tempo de comprar vacinas e salvar milhares de vidas. Enquanto isso atingimos mais de meio milhão de mortos. E agora já são 613 mil.

Enquanto líderes mundiais postavam fotos se vacinando para o mundo inteiro ver, no Brasil o discurso que desestimulava o país, principalmente os mais manipuláveis que não têm acesso a informação e a educação, foi e ainda é de vacinados que viram jacarés, mulher barbada, começam a falar fino ou, numa das mais sérias alucinações do chefe da Nação, contraem Aids.

No Brasil de hoje, o estímulo ao estilo “paz e amor” deu lugar às armas e a intolerância. Preto, pobre e favelado é bandido, se atira primeiro e conversa depois.

E como se não bastasse o discurso do presidente, desestimulante e mentiroso, como de costume, de que a universidade só tem vagabundo e maconheiro, ele agora decidiu atacar o Enem, criado no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1998, apenas para avaliar a qualidade do ensino médio no País, e aperfeiçoado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2004 para garantir o acesso às universidades públicas. Com o Exame Nacional do Ensino Médio, o Programa Universidade para Todos (ProUni) e, em janeiro de 2010, o Sistema de Seleção Unificada (SISU), veio a esperança de acesso dos cidadãos brasileiros ao ensino superior, ao chamado “diploma de Doutor” e a perspectiva de uma vida melhor.

Mas com Bolsonaro e seu discurso propositalmente de zero motivação, O Enem passou a não medir conhecimento, a servir para implantar “ideologia” – como se ele também não tivesse uma ideologia e a mais hedionda que já se viu. E, coincidência ou não, nos anos do atual governo, a abstenção tem batido recordes.

Esses ataques de Bolsonaro ao ensino público no Brasil nada mais são do que a estratégia de justificar os seguidos cortes nos recursos da educação que têm sido feito pelo atual governo. Somente neste ano de 2021 somam mais de R$ 5 bilhões.

Toda vez que Messias Bolsonaro fala de problemas, ele não lança soluções. Isso não interessa pra ele. O negócio é esculachar tudo no Brasil – como faz com as estatais, por exemplo – e depois sair privatizando tudo, vendendo tudo, pra garantir cada vez mais dinheiro pra uma elite parasita.

Bolsonaro é o arauto do caos, ele se alimenta da desgraça e seres assim não conseguem estimular pessoas e falar de esperança.

Mas, como diz a música do magnífico Chico Buarque “apesar de você amanhã há de ser outro dia…”