O governo dos Cavaleiros da Triste Figura e seus moinhos de vento

Quando vi a matéria que estava passando na Globonews sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter classificado os servidores públicos como “parasitas” , durante uma palestra na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, parei embasbacada no meio da redação do Radar e a primeira coisa que me veio à mente e que falei depois de alguns minutos de perplexidade foi uma conhecida frase, mas logicamente adaptada pra situação: “que Governo precisa de inimigos com uns aliados como esses”.

O que se tem visto desde que começou o governo de Messias Bolsonaro são caras que parecem ter saído da obra do escritor espanhol Miguel de Cervantes, o romance ficcionista “Don Quixote de La Mancha”. Assim como no livro de Cervantes, onde Don Quixote, um ser tresloucado, vivia a fantasia de ser um cavaleiro e de guerrear contra inimigos imaginários como moinhos de vento e ovelhas que se transformavam diante de seus olhos em gigantes e exércitos inimigos, os atuais ocupantes do poder em Brasília e até em alguns Estados da federação também vivem inventando “guerras” inúteis e desnecessárias.

Saem agredindo pessoas de maneira torpe e cruel, sem ter pra quê, igualzinho o líder maior do bando, o Don Quixote mais sequelado do grupo – preciso dizer o nome? Eles têm feito um número cada vez maior de desafetos, como por exemplo, homossexuais e gêneros afins, feministas, ambientalistas, integrantes de organizações não governamentais, comunidade universitária, artistas nacionais e internacionais e até líderes políticos de outros países.

Agora, o ministro da Economia decide agredir verbalmente cerca de 12 milhões de servidores públicos espalhados por esse país a fora. E me diga quem quiser e quem puder: o que o Brasil ganha com isso? Eu acredito que nada porque nunca vi nada de construtivo em tempos de “guerra”.

Nesse novo tempo de gente que vive em briga constante contra inimigos que só existem na cabeça deles, perdeu-se a noção da importância da elegância, da educação e da gentileza. Ser grosso, inconveniente, um tanto quanto burro e ainda falar coisas desconexas e sem sentido provoca até admiração.

E enquanto criam guerras desnecessárias contra gente que não oferece o menor perigo, eles perdem a guerra contra o tráfico e a bandidagem – tem gente que aposta que é proposital.

Esses “Cavaleiros da Triste Figuras” – assim que Dom Quixote era chamado – vão disseminando ódio, fazendo os jovens gostarem de armas e não de livros, de guerra e não de paz.