“O governo pagou R$ 16 milhões por mês por um serviço que não foi entregue à população em sua totalidade” conclui CPI da Saúde

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A acareação realizada, na manhã desta segunda-feira (21), pela  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, entre o gerente médio da Organização Social (OS) Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), Leandro Moura e os técnicos do complexo regulador (Sisreg) da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), não foi suficiente para que a CPI da Saúde tirasse por completo as dúvidas sobre o funcionamento do Delphina Aziz. Mas, segundo os membros da CPI só há uma certeza: “o governo de Wilson Lima pagou R$ 16 milhões por um serviço que não foi entregue em sua totalidade para a população”.

Para a acareação foram chamados a coordenadora estadual de regulação da Susam Keila Cristiane Batista do Vale; a coordenadora da central de regulação de urgência e de internação, Mônica Melo, o assessor técnico do complexo regulador, Felizardo Monteiro; o coordenador de regulação ambulatorial, Roberto Maia Bezerra.

O gerente médico do INDSH, Leandro Moura, representou a direção do INDSH na acareação, pois na última sexta-feira (18) Gasparini havia justificado a ausência por estar com Covid-19. Além disso, as coordenadoras médicas do Núcleo Interno de Regulação (NIR) da OS também estiveram presentes.

Controvérsia

Nos primeiros minutos da acareação, o presidente da CPI da Saúde, Delegado Péricles Nascimento (PSL), apresentou o registro do depoimento que mostra o diretor Luiz Gasparini afirmando que o Delphina Aziz tinha 100% dos leitos disponíveis, porém a Susam por um motivo não explicado disponibilizou apenas 50% desta estrutura para a população amazonense.

Em resposta a isso, o assessor técnico do complexo regulador, Felizardo Monteiro, desmentiu o diretor, alegando a carência de informações que eram repassadas pela OS para o Sisreg. Felizardo ressaltou também os dados apresentados no gráfico disponibilizado durante oitiva realizada no dia 14 de setembro.

“A fala do Gasparini foi infeliz. Quando viemos aqui na oitiva, viemos em defesa do complexo regulador. Não estou falando que os dados são falsos, mas sim que precisam de qualidade. No mês de abril, a OS não colocava à disposição do complexo regulador informações detalhadas. Se existia leito ou não, quem tem que explicar é o Delphina. Nós não recebíamos estes números”, declarou Felizardo.

O gráfico apresentado para referendar o depoimento do complexo regulador informava que no mês de abril, 50,73% de leitos estavam ocupados. Diante disso, o presidente da CPI questionou o gerente médico da OS, Leandro Moura.

Em resposta isse Leandro Moura respondeu: “Todos os leitos que estavam operantes neste período de abril foram disponibilizados para serem ocupados. No início de abril, tínhamos 203 leitos operacionais dentro da unidade. Destes leitos existiam uma parte leitos transitórios, utilizados por pacientes que vinham de outras unidades para o Delphina. Acredito que os 100% que o Gasparini comentou, era referente aos leitos que estavam disponíveis. No início deste período tínhamos 30 leitos de UTI e ao final de abril tínhamos 100 leitos de UTI disponíveis”, respondeu Leandro.

Entretanto, sua declaração foi compreendida como controversa, pois Gasparini afirmou de forma clara que no mês de abril a OS disponibilizava 100% de todos os leitos para a Susam. Diante disso, o deputado Wilker Barreto refez a pergunta ao gerente médico da OS, apontando as incongruências da declaração e perguntou se o gerente confirmava o que Gasparini havia dito. Em resposta, Leandro preferiu ficar em silêncio alegando “não ter jurisdição para responder ao questionamento”.

Argumentos insuficientes

Pela carência de informações apresentadas pelos representantes da OS que gerencia o Hospital Delphina Aziz, a CPI da Saúde solicitou relatórios que contenham os dados de evolução de pacientes por dia; número de internações de Covid-19 e ainda a relação de pacientes que foram transferidos para outras unidades. A CPI da Saúde espera que, com estes dados, possa compreender em sua totalidade a má administração realizada pelo instituição.

Contudo, os membros da CPI ressaltaram a única certeza que está clara após os depoimentos da acareação. O Governo do Amazonas gastou R$ 16 milhões dos cofres públicos para um serviço que não foi entregue em sua totalidade.

Prorrogação

Após o término sessão, Delegado Péricles informou que será realizada uma reunião extraordinária na terça-feira (22) às 14h, após a votação do pedido de prorrogação da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

“Eu acredito que os trabalhos desta casa vem conseguindo com êxito denunciar a má administração do governo com a saúde do Amazonas. Tenho certeza que os nossos colegas desta Casa serão favoráveis para a continuação da investigação da CPI”, afirmou Péricles.