O jogo de interesses que torna quase impossível manter a fé na Justiça   

Tenho feito um exercício diário de tentar acreditar na Justiça do meu País, porque sou alguém que sabe o que quanto é importante “caminhar com fé”. Acho que, vocês notaram que, sem querer, parafraseei a música de Gilberto Gil que diz: “andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá” – acredito que essa expressão seja uma licença poética para a palavra falhar. E mesmo sem querer ou não, a música de Gil tem tudo a ver com esse texto, já que caminhar com fé em tudo e em todos os seres humanos, torna a vida bem mais fácil – eu que tive que enfrentar o mundo sozinha desde os 14 anos sou a prova viva disso!

Mas, como ter fé na Justiça quando a vemos carregadas de outros interesses, que não a Justiça na expressão da palavra. No dicionário online, o significado da palavra descreve Justiça como “a particularidade do que é justo e correto, com respeito à igualdade de todos os cidadãos, por exemplo”.

E eu te pergunto, é justo e correto que o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, que chegou ao cargo por indicação do presidente Messias Bolsonaro, sem participar de votação interna da classe, faça ataques a Operação Lava Jato, aos seus próprios colegas de Ministério Público Federal (MPF), visivelmente para atender aos interesses do atual chefe do Poder Executivo Nacional, de seus filhos e seus aliados?

Quer dizer que as ações da Lava Jato, muitas contestáveis e até fora da lei, mas que serviram como uma luva aos interesses da extrema direita para eleger Messias Bolsonaro, agora já não servem quando investigam atos ilegais desta mesma extrema direita? Quer dizer que a Lava Jato, com a autorização de Sérgio Moro, pôde até mesmo grampear uma presidente (Dilma) e um ex-presidente (Lula) e agora já não pode mais nada? Messias Bolsonaro se negou a entregar seu celular à Justiça, no caso das acusações feitas por um membro de seu próprio governo, o juiz Sérgio Moro, e ficou tudo por isso mesmo.

A Lava Jato, mais precisamente o procurador da República, Deltan Dallagnol e o Juiz Sérgio Moro, agindo acima das Leis, combinavam ações pelo telefone, várias delas ilegais, como por exemplo, inventar denúncias anônimas para fazer busca e apreensão onde bem entendessem e contra quem bem quisessem. Como pode haver Justiça – o “justo e correto” dos quais falei antes – onde quem acusa (Dallagnol) combina as coisas com quem julga (Moro)? E o que mudou, já que os mesmos que diziam que antes Moro estava certo, agora dizem que ele está errado?

Moro antes mesmo de qualquer sentença de culpa ou inocência, quebrou sigilo de investigações, expôs pessoas à execração pública e agora tem gente sendo considerada inocente, mas que aos olhos do público sempre serão consideradas culpadas. Que Justiça é essa que destrói pessoas? A mesma medida usada para cassação de Dilma, não foi usada para Aécio Neves e suas malas de dinheiro. A mesma Justiça que fez o que bem quis no caso das investigações de supostos atos de corrupção durante o governo do PT, agora nega busca e apreensão no gabinete do senador do PSDB, José Serra.

 Após a “República de Curitiba” fazer o que bem quis nesse País, só agora o procurador-geral da República, Augusto Aras, diz que é hora de acabar com o “lavajatismo”. E na mesma pisada ligeira em que vão terminando com a Lava Jato, eu vou tentando de todas as formas manter a minha fé na Justiça, mesmo que a cada dia pareça quase impossível.