O médico e o monstro

“O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Para o meu governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa”, disse o presidente Messias Bolsonaro, em outubro do ano passado, para justificar sua recusa em comprar a vacina chinesa Coronavac, mesmo sabendo que a vacina já estava sendo usada em países como a Indonésia, o Chile, a Turquia e a própria China.

E enquanto Bolsonaro se recusava a comprar a vacina chinesa, e representantes do Ministério da Saúde do presidente Messias negociavam a vacina apenas se tivesse embutida no preço a propina, milhares de pessoas morriam no Brasil.

Mas o brasileiro foi feito de cobaia humana sim, sem comprovação científica, sem certificação da Anvisa e por determinação do próprio comandante maior da Nação Brasileira, o presidente Messias Bolsonaro, que impôs a governadores e prefeitos em todo o país, o uso da hidroxicloroquina nas unidades de saúde, mesmo sabendo que existiam efeitos colaterais com o uso do medicamento que é indicado para o tratamento da malária, uma doença causada por protozoário e não por vírus, como é o caso da Covid-19.

Agora se sabe que Bolsonaro foi médico e monstro, segundo vasta documentação encaminhada à CPI da Covid-19 do Senado Federal, sobre tratamentos feitos com hidroxicloroquina associados à Azitromicina sem autorização, sem repasse de informações aos pacientes e seus familiares e ainda a existência de mortes suspeitas não informadas.

Um estudo feito por uma das maiores operadoras de saúde do País, a Prevent Senior, teria ocultado mortes de pacientes após o uso da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19. Essas informações fazem parte de um dossiê entregue à CPI por médicos e ex-médicos da Prevent Senior.

A pesquisa feita pela Prevent foi divulgada e os resultados supostamente positivos foram enaltecidos pelo “médico” Messias Bolsonaro, classificando o estudo como exemplo de sucesso no uso da cloroquina, sem que o “monstro” publicasse em suas redes sociais ou sequer citasse as mortes de pacientes que tomaram o medicamento.

A situação fica ainda mais estarrecedora quando os médicos e ex-médicos dizem que a disseminação da cloroquina e de outras medicações foi resultado de um acordo entre o governo Bolsonaro e a Prevent.

E as acusações passam a ter a “cara” da verdade quando o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, deu uma justificativa esfarrapada para não depor na CPI da Covid-19 nessa quinta-feira, 16 de setembro, e entrou com pedido de habeas corpus para, caso seja obrigado a ir, possa se manter calado. Um silêncio muito apropriado para quem fez humanos de cobaias.