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O peso da permanência da Chapecoense na elite um ano após a tragédia aérea

Em ano de reconstrução e de dúvidas, Chapecoense garante permanência na Série A de 2018; atletas repetem festa de campeões da Sul-Americana

O vestiário da Chapecoense mais uma vez explodiu com o canto de “vamos, vamos Chape”. A permanência na Série A do Brasileiro foi confirmada e comemorada pelos jogadores e pelos milhares de torcedores do time no oeste catarinense. Os três pontos conquistados em cima do Vitória representam mais do que permanência na elite do futebol nacional, mas o fim da incerteza de um ano marcado pela reconstrução do clube após uma das maiores tragédias no esporte.

Próxima de completar um ano, a tragédia com o avião que transportava a Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana tirou da torcida um dos times mais vencedores de sua história e a mais querida diretoria. Além disso, levou da cidade a certeza de que o trabalho seria bem feito, independente das limitações orçamentárias e de estruturas do caçula da Série A do Brasileiro.

A nuvem que encobria a confiança da torcida finalmente foi embora com o resultado positivo em cima do Vitória, na noite dessa quinta-feira (16), na Arena Condá. Mais uma vez, contrariando as expectativas, o Verdão permaneceu. Sem imunidade contra o rebaixamento, o Davi, armado de uma pedra chamada planejamento, torcida e humildade, derrotou o Golias, e garantiu o quinto ano seguido na elite do futebol nacional. A torcida comemorou, os atletas desabafaram e tiraram das costas o peso da responsabilidade de substituir um time vencedor.

 Por tudo que a gente passou na temporada, não estava ano passado, mas sofri igual a todos nessa cidade. Acho que a permanência na Série A, foi para os que foram, a gente não poderia decepcionar, então fico feliz. Encontrei um grupo que me abraçou de uma forma inexplicável. Só tenho a agradecer. Chape é Série A em 2018. Bom tirar esse peso. Dá pra trabalhar, buscar vaga na Sul-Americana, e quem sabe, com o trabalho e força de vontade, até uma vaga na pré-Libertadores – disse Fabrício Bruno.

A chuva, mais uma vez se fez presente. A exemplo do dia em que a Chapecoense permaneceu na Série A em 2015, quando bateu o Inter, na mesma 35ª rodada. Ou quando se classificou para a semifinal da Sul-Americana, ao vencer o Junior Barranquilla. A torcida tentou se esconder, assim como na vez em que fugiu do granizo, quando o time conseguiu a classificação para a Série C, em 2009, ao vencer o Araguaia. A chuva, que se misturou às lágrimas na despedida dos eternos guerreiros após a tragédia, desta vez, veio para lavar a alma.

– Aquela vez a gente estava em um momento difícil, cobrando muito, e conversei na boa, que a gente não abandonaria, a gente lutaria até o fim, e está aí o resultado. Está cumprido, manter o time na Série A, pelo menos no mesmo patamar que os guerreiros do ano passado deixaram – disse Túlio de Melo.

O vestiário explodiu. O “Vamos, vamos Chape” ecoou pelos corredores. Foi repetido pela torcida. Chegou às ruas. Grita, Chape! Grita, porque a permanência é sua. Grita, porque dentro de sua pequenez, mais uma vez se fez grande, e mostrou ao Brasil, a força da união de uma cidade.

Fonte: GE