O populismo que maltrata e até mata!

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A definição de populismo nos dicionários não tem nada de ruim. Lá está escrito: é o conceito que caracteriza o modo como um governante governa, usando estratégias e recursos que têm como objetivo angariar o apoio e confiança popular, principalmente das classes mais desfavorecidas”.

Mas, com o passar dos anos, ser chamado de populista virou algo nada agradável, por causa das práticas usadas por grande maioria dos políticos para conseguir, como diz no significado da palavra populismo, “o apoio e a confiança popular”. Essa proximidade com o povo e a simpatia da população, muitas das vezes, são conquistadas através do assistencialismo, com a distribuição de tudo que é tipo de coisa, de brinquedo à sacola de peixe, de motor rabeta à motosserra.

Muita gente há de defender essa prática e dizer que tem é saudade dos tempos em que os políticos faziam doações, satisfazendo as necessidades imediatas de uma família, principalmente em tempos como os que estamos vivendo, tempos em que a fome assola a Nação Brasileira, tempos em que uma sacola de rancho pode salvar a vida de um ser humano da morte que considero a mais dolorosa de todas, pela fome – quem já sentiu a dor da fome sabe o que eu estou dizendo.

Em parte, concordo com quem defende essa prática de distribuir donativos à população! Só não concordo totalmente, porque sempre achei que as doações deveriam vir junto com políticas públicas que dessem alternativas de vida digna aos cidadãos, ações de geração de emprego e renda, políticas públicas para tirar o ser humano da escravidão da miséria e da humilhação da mendicância. Quem não lembra da frase: “não dê o peixe, ensine a pescar. Pois sou adepta disso!

Há quem não esteja entendendo onde euzinha estou querendo chegar, pois eu explico. Cheguei à conclusão de que, de certa forma, também tenho saudades do tempo de um populismo que eu poderia classificar de inofensivo, dos tempos em que crianças ganhavam brinquedos e sacolas de peixe do ex-governador Gilberto Mestrinho, ou sacolas de rancho e motores rabetas nos governos de Amazonino Mendes – motosserra não, tá Negão! – das casas de farinha (essas são as minhas preferidas porque geram renda) no governo de Eduardo Braga, ou até a grana distribuída pra manter a floresta em pé – nada mais justo pro nosso povo que mantém o equilíbrio climático do planeta.

Estamos vivendo tempos de um populismo das trevas! Um populismo cruel, maligno, que brinca com a vida e com a morte. Um populismo de líderes que fazem propaganda de remédios que não servem pra nada e até matam. Um populismo que é capaz de aceitar que se faça nebulização de cloroquina em seres humanos indefesos, prostrados em camas de hospitais, sem autorização da família, apenas pro político tentar provar que está certo, apenas pra tentar provar que um asno entende de medicina, apenas pro capeta brincar de Deus.

Um populismo em que uma liderança política induz pessoas a serem irresponsáveis, egoístas, sem empatia, sem amor ao próximo. Líderes que provocam aglomerações, que pregam contra medidas sanitárias, que fazem chacota da desgraça alheia. Políticos que mantém o povo “preso” na ignorância, enquanto ganham dinheiro com propina de respiradores pulmonares e na compra de vacinas que poderiam ter salvado milhares de vidas.

Políticos populistas que são capazes de defender ações de saúde estapafúrdias, onde um ser humano que vai se testar pode se infectar com dois vírus diferentes, onde pessoas, inclusive grávidas e idosos, são postos horas expostos ao sol e a chuva do “verão amazônico”, sem banheiro, sem água, sem humanidade.

Políticos populistas que não conseguem assumir erros, pedir desculpas, consertar o que está errado. Simples assim! Populistas que não conseguem apenas agir como um ser humano, com erros e acertos, como qualquer um de nós! Populistas que não aceitam opiniões contrárias às suas, não aceitam questionamentos, pensam que são divindades e querem ser tratados como Deus!

E nesse momento, passa pela minha cabeça a frase do poeta Lulu Santos: “Eu vejo um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera”! Será que daria pra fazer esse tipo de populismo, por favor?