O povo brasileiro e a dor que dói na alma

Foto: Agência Brasil

Quem já sentiu essa dor entende muito bem do que estou falando. Tem muita gente que diz que a pior dor do mundo é a dor de dente, outros dizem ser dilacerante a dor renal e, apesar do momento extraordinário de colocar um ser no mundo, digo por experiência própria, não ser nada fácil suportar a dor do parto. Mas há uma dor que não dói só no corpo, dói na alma e que faz com que a pessoa nunca mais veja a vida da mesma maneira, é a dor da fome – digo isso porque também já senti.

A dor da fome que “contorce” o estômago e causa males físicos, enche a alma de solidão, revolta e desespero. Acredito ser a única dor que as pessoas sentem vergonha de contar, pois ela é sinônimo de frustração e vergonha, já que é difícil não se sentir um fracassado diante da constatação de que não se consegue sequer colocar comida na mesa da família.

E essa é a dor que o povo do meu país vem sentindo. Pesquisa aponta que no final do ano passado, 19 milhões de brasileiros passaram fome no Brasil. E tem um dado pior ainda, segundo o Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Pennsan).

O estudo aponta que, nos últimos meses de 2020, mais da metade das famílias brasileiras (55,2%), o que corresponde a 116,8 milhões de pessoas, conviveram com algum grau de insegurança alimentar. Em outras palavras, mais da metade da população brasileira não teve acesso regular e permanente à alimentação, em quantidade e qualidade adequadas.

E enquanto nosso povo sente a dor da fome, as políticas públicas como por exemplo o “Fome Zero”, foram abandonadas. O combate à fome só tem piorado nos últimos anos, com atitudes como a do presidente Messias Bolsonaro que extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea).

E enquanto tem gente que consegue dormir em paz mesmo diante da terrível dor da fome, bendigo aqueles que se unem numa corrente de solidariedade para minimizar a fome do povo brasileiro. Esses têm a justiça divina ao seu lado e dormem o sono dos justos.