‘O povo precisa de emprego. Ninguém quer peixinho, rancho’, diz Dermilson Chagas ao criticar Wilson Lima em entrevista ao Radar (ver vídeo)

Com a fala, o político fez menção ao caso em que centenas de pessoas ficaram sem receber o pescado prometido pelo governador Wilson Lima (União Brasil), durante ação do programa "Peixe no Prato", no bairro Jorge Teixeira, zona Leste

Foto: Radar Amazônico

Em entrevista ao Radar Amazônico, comandada pela jornalista Any Margareth nesta quinta-feira (14), o deputado Dermilson Chagas (Republicanos) criticou o governador Wilson Lima e pediu mais empregos para a população do Estado. “A melhor política que o Estado pode fazer é a de geração de emprego. Ninguém quer peixinho, rancho”. Com a fala, o político fez menção ao caso em que centenas de pessoas ficaram sem receber o pescado prometido pelo governador Wilson Lima (União Brasil), durante ação do programa “Peixe no Prato” realizado no bairro Jorge Teixeira, zona Leste da cidade e que deixou os moradores revoltados após ficarem horas em uma fila quilométrica debaixo de sol e chuva.

O político teceu críticas contra o governo de Wilson Lima, afirmando que há pessoas que criaram “feudos” no mandato do governador, o que prejudicou a imagem dele, na opinião de Chagas. “A política dele (Wilson Lima) passa a ser a de atender os amigos que não acolhem o governo na hora da fala. Ninguém defende o Wilson, mas querem as benesses do governo dele”, disse.

Estradas

O deputado mencionou a ocasião em que criticou as suspeitas de irregularidades nas obras da estrada AM-010 (Manaus-Itacoatiara). “Essa estrada é uma redenção para o estado do Amazonas. O gás é uma matriz econômica ‘violenta’, que dá receita para o Estado. Com uma estrada dessa sem qualidade, não tem quem queira investir. Aí que o Wilson deveria dizer: ‘quero uma obra de qualidade’. Ele deveria deixar um legado, uma história”, afirmou.

Chagas também comentou sobre a estrada que liga o município de Anori (a 234 quilômetros  de Manaus) ao município de Codajás (a 240 quilômetros de Manaus). “As pessoas não conseguem escoar açaí por meio dessa estrada e o governo ainda quer falar em geração de emprego. Essa obra é antiga, não há uma nova no governo do Wilson”, disse o deputado.

Fardamento da PM 

Dermilson Chagas relembrou o protótipo de novo fardamento da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) divulgado pelo comandando-geral da PMAM, coronel Vinícius Almeida, em uma rede social do militar, neste mês. No post, Vinícius Almeida escreveu: “Em breve, nossos policiais terão um uniforme moderno, com tecido diferenciado e do mesmo padrão do exército brasileiro. Vamos trabalhar”.

No dia 10 de abril, o Radar divulgou, que, depois de receber várias denúncias de policiais militares de diversas patentes, Chagas denunciou, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que o Comando-Geral da PM pretende deixar de pagar o auxílio-fardamento para os membros da Corporação em troca de fornecer, via contrato com uma empresa, a nova farda dos PMs.

Durante a entrevista desta quinta, Chagas criticou a ação. “Existe um auxílio-fardamento para o policial. Essa conversa de que ele recebe esse auxílio e não gasta é conversa fiada. Todos vão aparamentados. Ele quer empurrar [o fardamento] e escolher a empresa. O governador tem que entender que tem coisa errada”.

O auxílio-fardamento é um benefício concedido para policiais militares e bombeiros no valor de R$ 2.745,00, sendo pago no mês de aniversário do militar. O abono é disponibilizado no contracheque e tem a proposta de custear os gastos com uniformes para o trabalho. Com o dinheiro, os militares podem comprar coturnos, boinas e acessórios como cinto e coldre. Em todo o Estado, 8,6 mil policiais e cerca de 700 bombeiros recebem o benefício, de acordo com informações do Portal do Governo do Amazonas.

Oposição

Filho de uma costureira e um cabo do Exército, Chagas se declarou “deputado de oposição”. Ele afirmou que tem como objetivo “mostrar a realidade, brigar pela geração de emprego, saúde e segurança melhores”, declarou. O político, que disse trabalhar em prol da categoria de pescadores há pelo menos 15 anos, afirmou que a classe precisa de uma política pública que os valorize e permita ampliação de lucros.

“Se tem um segmento histórico no nosso Estado é a pesca, mas a estrutura dela é pífia. De um tempo para cá, trabalhamos para dar mais renda a eles. Os principais passos têm sido dados”, disse.

Relembre

Em março deste ano, o político criticou a postura dos órgãos de controle do Amazonas por não investigarem as irregularidades na obra, que foram denunciadas por ele no ano passado, por meio de um parecer técnico produzido por um especialista em pavimentação, professor Rubelmar Azevedo, e que foi encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e ao Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM).

O parlamentar destacou que o Ministério Público Federal (MPF), que também recebeu a análise técnica da obra, foi o único órgão que se posicionou positivamente para investigar as irregularidades. Chagas disse, à época, que estava esperando uma resposta do TCE-AM e do MPAM, pois vem denunciando, desde antes do início das obras, que há irregularidades, dentre elas, a escolha das empresas que venceriam a concorrência pública para os serviços de recuperação da estrada, com valor global de mais de R$ 366 milhões.

Em abril de 2022, o deputado convidou a população dos municípios de Anori e Codajás para ingressarem com uma ação civil pública com o objetivo de descobrir e penalizar os responsáveis pelo abandono da obra de pavimentação da estrada que liga as duas cidades. A obra foi iniciada em 2013, e está orçada em R$ 74 milhões, porém nunca foi finalizada e o local se tornou um lamaçal do início ao fim da via.

Na mira da Any: Entrevista com deputado estadual Dermilson ChagasNa mira da Any: Entrevista Dermilson Chagas

Na mira da Any: Entrevista com deputado estadual Dermilson Chagas

Posted by Radar Amazônico on Thursday, April 14, 2022