“O que adianta uma delegacia anticorrupção, onde quem vai mandar é o governador”, questiona Wilker   

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O deputado oposicionista, Wilker Barreto (Podemos) criticou, nos moldes em que foi aprovada, nesta quinta-feira (13), a criação da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (Deccor) na estrutura organizacional da Polícia Civil do Estado do Amazonas. Wilker disse ser totalmente ilógico e incompreensível a aprovação de uma delegacia de combate a corrupção, sem autonomia, onde quem vai mandar e desmandar é o governador Wilson Lima, acusado e investigado por corrupção.

Wilker era a favor da criação da delegacia anticorrupção, mas acabou votando contra depois da rejeição de emenda de sua autoria que garantia autonomia para o futuro delegado da Deccor investigar atos de corrupção até mesmo do próprio governo. Em tom duro, Wilker ponderou que a sua propositura tinha o intuito de resguardar a independência da delegacia anticorrupção para fiscalizar o Executivo e de criar mecanismos para garantir a lisura e a atuação integral do titular da nova estrutura. Além disso, a matéria propôs que o nome indicado pelo Governo para assumir o comando da Deccor fosse sabatinado pelos deputados da Aleam.

“Para minha tristeza e não surpresa, a base governista não considerou uma emenda que dava garantias de mandato para o futuro delegado da Deccor, para que o mesmo tivesse autonomia para fiscalizar o crime organizado, começando por este Governo. No primeiro passo de coragem que ele for em direção ao governo, será exonerado, ou seja, da minha mão não sai uma delegacia faz-de-conta”, justificou o parlamentar.

Barreto reprovou, também, a postura dos deputados que compõem a base do Governo no Parlamento Estadual pela falta de critérios para a aprovação de matérias legislativas.

“Quando a matéria interessa a base governista, eles atropelam e rasgam o regimento da Casa, mas quando a propositura é contra o Governo, o regimento é firme e duro contra a oposição. Da forma que está hoje, essa delegacia será mais um aparelhamento do Governo para blindar o próprio governo”, explicou Wilker.