O que tem a ver o encontro de Arthur e David no Réveillon com a burrice do “mundo político dos homens”

No começo desse texto sei que você vai achar que esta foto nada tem a ver com a história que estou lhe contando, mas depois de algumas linhas você vai chegar à conclusão que tem tudo a ver. Lá pelos idos de 1997, quando trabalhei como repórter do Governo do Estado, ouvi de um certo assessor do governador que mulheres “não eram muito talhadas” para conviver com o “mundo político dos homens”. Na “tese” machista e misógina visivelmente endereçada a mim que participava de um governo maciçamente composto por homens, as mulheres eram muito sensíveis, faltava-lhes “dureza emocional para certas estratégias políticas”.

Com o passar dos anos e depois de uma longa estrada convivendo bem de perto com o tal “mundo político dos homens” citado pelo assessor de Governo, cheguei à conclusão, que o cara não era só machista e misógino como também tinha um alto QI, no meu dicionário isso não significa Quociente de Inteligência, mas sim Quociente de Imbecilidade – o que o povo chama de burro mesmo!

Aprendi com a experiência de anos como assessora de governos, prefeituras e Poderes Legislativos, em sua maioria com cargos ocupados por homens – hoje menos que antes, Graças a Deus – que muitas figuras políticas perderam eleições ou caíram em desgraça politicamente exatamente pela falta de sensibilidade, característica tão criticada nas mulheres pelo dito assessor e tachada não só por ele, como por muitas figuras do sexo masculino, como nem um pouco importante no mundo político.

A “dureza” emocional vangloriada nos homens – aquilo que eu chamo de crueldade política – faz com que eles tracem estratégias que não entendem a alma humana, que mexem com os sentimentos mais íntimos das pessoas como indignação, raiva, amargura, desalento, e por consequência, vontade de se unir a outros que estão passando pelas mesmas agruras e de esboçar reação e dar o troco na mesma medida.

Uso como exemplo disso tentar na marra impedir candidaturas como a de David Almeida, tentando tirar-lhe o partido que ele preside (Avante)  ou inviabilizar candidaturas, como de Josué Neto, ameaçando cassá-lo por infidelidade partidária caso saia da sigla (PSD) para ser candidato ou destruir lideranças política como Arthur Neto, atingindo a família, usando problemas causados por pessoas ligadas a ele, massacrando-o moralmente e publicamente.

E foi toda essa história que me passou pela cabeça quando vi o encontro de David Almeida e Arthur Neto em pleno Réveillon da Ponta negra, no camarote da prefeitura. David com feições abatidas, barba branca, parecendo mais velho do que é, acredito que muito mais por causa da dor de ter perdido a esposa recentemente, mas com o agravante de ter que travar uma luta incansável em Brasília para manter seu partido e sua candidatura a prefeito.

Da outra parte, um Arthur Neto, com um ar não menos de cansaço, tem aguentado porrada de todo lado por causa de um crime onde um dos indiciados é seu enteado. Um indiciamento que me dou o direito de, como repórter, achar no mínimo estranho sob alegação de “omissão de socorro”, usado politicamente como se tivesse sido acusado de homicídio.  Arthur foi embora cedo, por volta das duas horas da madrugada.

Mas as palavras de carinho e solidariedade entre os dois só me mostram que mais uma vez certos homens erraram na dose de crueldade, aproximaram pessoas que podem decidir uma eleição, criaram inimigos desnecessários e podem pagar um preço político incalculável. Ah! Já ia esquecendo, a moral dessa história fica clara quando conto a vocês que aquele assessor da tese machista e misógina, perdeu eleições, caiu em desgraça política e nem sei por onde ele anda. Quanto a mim, minhas estratégias deram muito mais certas do que as dele, já que me dei muito bem no “mundo político” que ele dizia ser feito por homens.