O Radar captou pra você a “farra” com os carros pagos pela Prefeitura de Coari por R$ 5,7 milhões do dinheiro do povo

Eles estão estacionados na praça, ou em frente de empresas particulares, até mesmo em bares e restaurantes, ou são vistos rodando pela cidade, com as famílias de secretários e subsecretário da Prefeitura de Coari na maior naturalidade, como se R$ 5,7 milhões pagos nesses contratos de alugueis de carro não fossem dos cofres públicos. Ano passado, em 2013, os gastos com aluguéis de carro feitos pela Prefeitura de Coari atingiram R$ 7,7 milhões.  E não precisa ser auditor do Tribunal de Costas do Estado (TCE) para ver que os preços são visivelmente absurdos onde o aluguel de uma pick-up custa R$ 10 mil reais por mês, e de um veículo adaptado para servir de ambulância é de R$ 50 mil/mensal. A empresa é a mesma em todos os contratos, a Esc Locadora de Veículos LTDA. No ano passado, o prefeito Adail Pinheiro teve a desfaçatez de utilizar um Decreto de Emergência para fazer os contratos de R$ 7, 7 milhões coma Esc Locadora e, coincidentemente (?), essa mesma empresa ganhou um Pregão Presencial, este ano, diz que pelo menor preço, para mais esses contratos no valor de R$ 5,7 milhões.

O próprio promotor de Justiça do Ministério Público em Coari, José Felipe da Cunha Fish, em documento, relatou o que ele mesmo diz ter sido testemunha e determina como “crime”: “Fato notório nesta cidade de Coari, que servidores e secretários municipais têm utilizado veículos da Prefeitura para realização de atividades particulares, à custa do erário e em prejuízo do patrimônio público, inclusive durante os finais de semana e feriados. Este representante ministerial, por diversas vezes pode ver a utilização ilegal destes veículos por servidores públicos, secretários e seus familiares”.   O promotor criminaliza ainda esse tipo de ocorrência:  “a utilização indevida dos citados veículos gera um gasto indevido de combustível e que tal figura pode ser considerada como emprego irregular de verbas públicas, constituindo crime na forma do artigo 135 do Código Penal”.

Mas, apesar de se dizer testemunha ocular de um crime, a única providência que se tem conhecimento por parte do promotor foi uma mera “recomendação” por escrito, no ano passado, e encaminhada à Prefeitura de Coari. “Recomendar ao Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal de Coari que adote providências imediatas no sentido de proibir a utilização dos veículos de propriedade ou à disposição da Prefeitura Municipal pelos servidores públicos, secretários e seus respectivos familiares fora do horário de expediente ou na realização de atividades  de interesse particular, principalmente nos finais de semana e pontos facultativos”.

Mas, a Prefeitura de Coari não deu a menor importância à “recomendação” do promotor de Justiça. O documento deve ter ido parar em algum arquivo morto e a “farra” continua a olhos vistos do promotor de Coari que, pelo jeito, achou necessário apenas recomendar para gente que não tem a menor vergonha de confundir a coisa pública com a privada. (Any Margareth)

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