O Radar está no ar!

FUNDO PARA SITE RADAR  10

O Radar não é recém-criado, confesso! Ele esteve em fucionamento durante meses, no ano de 2011. Poderia dar as mais diversas justificativas para motivar sua curta jornada, explicações sobre pressões políticas, falta de apoio, ofensas desferidas por outros colegas de imprensa por causa de posicionamentos escritos no site, etc, etc, etc…Mas, nada disso seria válido. Todo começo (e recomeço) é errado se não assumimos nossa culpa, nossa máxima culpa. Na verdade, a questão girou em torno de incertezas e receios. Como competir com o brilhantismo do texto de um Raimundo Holanda? Com a “pena” afiada e afinada de um Orlando Farias? Com os bons textos de tantos blogueiros, críticos ferrenhos, que, falando a verdade, muitas vezes chegam a dar raiva pelas opiniões cáusticas, mas há de se admitir, têm seu valor pela coragem da livre manifestação do pensamento. Um mundo digital dominado pela presença masculina, por jornalistas que fizeram história na mídia impressa.

E ainda tem o fato de, quando se tem nas mãos um instrumento de comunicação como esse, surge o receio de ofender amigos, com críticas que não têm a intenção de magoar, mas de apontar caminhos, para que erros sejam corrigidos. Pior ainda quando um desses amigos trabalha com um politico para o qual a crítica é direcionada. Como dizer não, diante do pedido de um grande amigo para tirar uma matéria, para desmentir uma informação, tendo a certeza de que ela é verdadeira? E, onde fica o compromisso com a verdade dos fatos? Como conciliar jornalismo ideológico com fortalecimento empresarial? São questionamentos como esses que devem, com certeza, ter “povoado” os dias de patriarcas da Comunicação como Humberto Calderaro, ou já ter tirado o sono dos grandes empresários  da Comunicação nesse Estado, como Cassiano Cirilo Anunciação e seus filhos, Guilherme Aluízio, Hermengarda Junqueira, Otávio Haman, Francisco Garcia, Ronaldo Tiradentes, Josué Filho e tantos outros. Sem contar, que no meu caso, depois de 17 anos em assessoria de imprensa, tem a difícil tarefa de dormir e acordar pensando na notícia, caçando “furo” de reportagem, buscando fontes confiáveis…reaprendendo a ser reporter.

Mas, de 2011 até os dias atuais, muita coisa mudou. Aprendi muito com os livros, com as pessoas, e com o poder da obervação apurada, que só vem com o passar dos anos. Em livros como “A arte de escrever um jornal diário”, do Noblat, li que jornalista é um ser de poucos amigos mas, quase sempre verdadeiros, já que permanecem ao seu lado apesar das profundas diferenças com você. O aprendizado com a convivência (nem vou falar das brigas) com Holanda e com meu mais recente amigo, e infelizmente saudoso, Orlando Farias (aí é que teve briga mesmo) me fizeram ver que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”(poeta Fernando Pessoa). Holanda é de uma “frieza de monge tibetano” até mesmo quando lhe fazem ataques pessoais. E quanto a Orlando Farias, ainda soa nos meus ouvidos, um comentário feito por ele, diante da minha revolta, por um certo politico ter me acusado de ter “plantado” matéria contra ele, coisa que não fiz. “Mulher, gente como nós é amada por alguns e odiada por tantos outros. Leva como elogio já que insignificantes não incomodam ninguém”. Obrigado, companheiro Orlando!

O aprendizado da idade trouxe o desprendimento com a necessidade de aceitação. Agora, já não há mais porque ir contra o que se acredita pela mera preocupação de agradar. Depois dos quarenta, se é o que é, e pronto. Por isso, o Radar está de volta, de cara nova e, espero, agora, caminhar com ele sem tantas inseguranças e receios, aprendendo sempre!

(Any Margareth)