O Radar no País do faz de conta (parte II)

Após o povo ir para as ruas protestar contra as políticas públicas no Brasil, o que mais se viu (e se ouviu) foram os discursos de apoio às manifestações, desde a presidente da República Dilma Rousseff, passando por prefeitos, governadores, parlamentares municipais, estaduais, federais, não importa quem fosse o agente público, as expressões eram as mesmas como democracia, liberdade de expressão, legitimidade popular, e coisas do gênero. Mas, já há casos de repressão a manifestantes sendo investigados pela polícia, como o do estudante Rodrigo Antonio d´Oliveira Graça, de 19 anos, militante do PSOL, que desde terça-feira (24) afirma ter sofrido ameaças para que “pare de fazer protestos contra o governo”, segundo relatou o delegado que apura o caso, Fábio Oliveira Barucke. As primeiras ameaças teriam sido pelo telefone. Mas, na quinta-feira (25), o jovem teria ficado em poder de quatro homens, encapuzados, dentro de um veículo, durante 40 minutos. Um deles, armado, teria o ameaçado de morte devido, segundo ele, a sua participação nas manifestações ocorridas no Rio de Janeiro A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o PSOL pediram o esclarecimento urgente e a identificação dos envolvidos. A Polícia Civil informou que as apurações estão em andamento. O que se chega à conclusão é que no País do faz de conta há de se ter todo cuidado, porque nem sempre o que certas pessoas dizem, é igual ao que elas fazem (ou mandam fazer).

Polícia pacificadora?

E o pedreiro Amarildo de Souza, morador há 42 anos do Morro da Rocinha, nascido e criado na comunidade, está desaparecido desde o dia 14 desse mês. Amarildo sumiu logo após prestar depoimento na sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), da Rocinha. Ele foi levado da porta de casa quando estava chegando de uma pescaria. Segundo a família e moradores do morro, Amarildo teria sido confundido com um traficante. Nem a família acredita mais que Amarildo esteja vivo e acusa os policias de terem assassinado o pedreiro. A família de Amarildo estaria sendo ameaçada, e está deixando o Morro da Rocinha, após ter sido incluída no Serviço de Proteção a Testemunha. No País do faz de conta, programas do Governo falam de uma polícia radicada no morro com o intuito de trazer paz à comunidade. Que paz é essa em que o cidadão parece estar num campo de concentração? E no faz de conta dos que estão no Poder a polícia protegeria os cidadãos dos traficantes, mas num caso como este, de quem a comunidade tem que ter mais medo?

Faculdade Vidal Pessoa

E vira e mexe, pipocam na imprensa, matérias sobre as detentas da Cadeia Pública Vidal Pessoa curtindo as redes sociais, se comundicando com os amigos e coma família. Os posts são os mais desconcertantes, com fotos das detentas tomando banho de sol de biquíni e jogando dominó. E as internas ainda se referem à Vidal Pessoa como “faculdade”. E você deve bem imaginar quais são as disciplinas estudadas por lá. No País do faz de conta, o Poder Público faz de conta que te pune por seus delitos, e você não precisa nem fazer de conta que está preso e ainda faz pose pra foto.