O Radar no país do faz de conta

Agora que a obra da Arena da Amazonia, já está com algo em torno de 62% de suas obras concluídas é que o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu se manifestar de que o custo dos serviços poderia ter sido mais barato. Mas, ao mesmo tempo, sem ter qualquer empecilho ou dificuldade, um segundo aditivo de preço, de 54 milhões, foi liberado para a obra. O TCU ainda diz alguma, mas o Tribunal de Contas do Estado (TCE), que é bem aqui na ilharga, que tem fiscal (ou deveria ter) pra tudo que é obra, não disse nada (pelo menos que a gente tenha ouvido), e os fiscais (se é que tem) nunca se soube que tenham dito que a obra estava ficando muito cara, e o presidente do órgão, conselheiro Érico Desterro, disse para a coluna Sim&não, do jornal A Crítica que vai “levantar os dados”. E faz de conta que a gente não sabe que a Arena da Amazonia vai acabar ficando pronta por um preço muito mais caro do que o valor que estava no projeto, e que na hora da prestação de contas, o máximo que vai acontecer é uma aprovação das contas do Governo, com algo que eles chamam de “ressalvas” (o mesmo que recomendações), uns meros “puxões de orelha” pra que em outra obra, não se faça mais o que se fez nessa – até parece que “recomendações” vão modificar a prática histórica dessa gente. E aquele lindo e caro amontoado de ferro e concreto – e luzes muitas luzes meeeesmo – vai sediar quatro jogos da Copa do Mundo, e depois? Depois a gente faz de conta que aquele símbolo da “riqueza” da Amazonia construído com, até agora, R$ 605 milhões de um povo cada vez mais empobrecido, vai trazer prosperidade pra essa terra.

Educação tecnológica

A prefeitura de Manaus distribuiu notebooks para alunos da rede pública de ensino municipal. E milhares de notebooks também foram distribuídos para os professores do Estado pelo Governo. E as peças publicitárias do Governo do Estado e da Prefeitura fazem a gente acreditar que nossas crianças estudam em escolas na Europa ou nos Estados Unidos. E a gente faz de conta que os prédios não são alugados e que muitos não apresentam as menores condições de infraestrutura para servirem de escola. E que não há milhares de crianças –segundo o vereador Prof Bibiano são cerca de 10 mil – fora da escola. E faz de conta que os professores não têm um salário mensal menor do que o preço do notebook.

 Pagando pra sofrer

E  a Câmara Municipal de Manaus (CMM) avalizou a Prefeitura de Manaus a pagar quase R$ 1 milhão de reais do dinheiro dos “ricos” cidadãos de Manaus para que os “pobres” empresários do transporte coletivo não tenham prejuízo, agora que a passagem de ônibus voltou a custar R$ 2,75. E os vereadores da bancada do prefeito garantiram (ou fizeram de conta) que vão cobrar, assim como o prefeito Artur Neto, melhoria na qualidade dos serviços de transporte coletivo. E os empresários vão fazer de conta que o ser viço de transporte coletivo em Manaus não é uma porcaria, e que  os problemas no sistema são porque eles estão tendo prejuízo ficando em Manaus.  E nessa, não dá nem pra fazer de conta que acredita, não é mesmo?

O presidente e o MPL

Pela segunda vez, o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Bosco Saraiva, se reuniu com membros do Movimento Passe Livre (MPL) , que estão acampados há uma semana em frente a CMM e, segundo ele, reafirmou seu interesse em discutir junto com o movimento as questões do transporte coletivo de Manaus, “inclusive subsidiando o movimento de informações sobre o transporte como um todo”. Essa, nem fazendo de conta, dá pra acreditar e, pelo jeito, o MPL vai criar raízes acampado em frente a Câmara e o máximo que vai conseguir é continuar posando pras fotos junto com o presidente da Casa, no velho jogo do faz de conta.