O silêncio da Comissão de Transição e o “acordo de cavalheiros”

Não foram poucas as vezes que o então candidato e hoje governador eleito Wilson Lima (PSC) falou da transparência necessária as administrações públicas, um discurso em tom de crítica aos governos anteriores e de promessa para o futuro.

Mas a prática tem estado na contramão do discurso quando se nota um silêncio quase que sepulcral sobre os trabalhos da Comissão de Transição entre os governos de Amazonino Mendes (PDT) e Wilson Lima. Parafraseando o poeta Vinicius de Moraes, “de repente, não mais que de repente”, parece que não há nada mais a criticar no governo atual e tudo está perfeito na administração de Amazonino Mendes. Como diria meus irmãos caboclos: Wilson Lima e sua trupe comeram abiu. Até agora, os dados encontrados pela Comissão de Transição não foram divulgados e nenhum representante do novo governo parece ter a menor vontade de fazer isso.

A medida tem gerado estranheza até mesmo entre os aliados já que é de conhecimento público e notório que as finanças do Estado vão de mal a pior, que os gastos com a Saúde Pública foram mal direcionados – pelo menos no discurso de Wilson Lima – e geraram atrasos em pagamentos de servidores terceirizados, filas em unidades de saúde e má prestação dos serviços, sem falar na paralisação das obras de infraestrutura, que gerou até uma representação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).

Em entrevista a um veículo de comunicação local, o deputado estadual Luiz Castro e membro da comissão de transição do novo Governo chegou a afirmar que havia muitas situações que estão sendo analisadas no âmbito das comissões de transição – do atual e do novo Governo – que ele não iria revelar. “(…) porque não quero criar nenhum clima de animosidade no âmbito da comissão de transição”, disse.

É isso mesmo que euzinha ouvi? Animosidade? A verdade, que eu saiba, não é sinônimo de animosidade. Animosidade é o que tem enfrentado a população tendo que enfrentar todo tipo de abuso para conseguir um remédio na Central de Medicamentos ou para conseguir uma consulta na rede pública de Saúde.

Mas, a história que o Radar captou de uma fonte com trânsito nos dois Governo fala de uma espécie de “acordo de cavalheiros” entre membros do atual Governo e da futura administração de Wilson Lima. O acordo é o seguinte: tu não fala da minha administração e eu não deixo tudo armado pra te colocar em xeque diante da opinião pública.

Sendo mais explícito, os dados recebidos são mantidos no âmbito da comissão de transição e não tornados públicos e, em troca, Amazonino mantém os contratos firmados entre o Estado e o grupo Calderaro, aqueles de milhões pra bancar jogo de dominó e campeonato de Peladas.

Com as contratações mantidas, Wilson Lima terá apenas que dar continuidade aquilo que já existe e não terá que provar do gosto amargo e impopular de assinar os contratos com seus ex-patrões para bancar festas privadas com dinheiro público.

Se o acordo de cavalheiros é verídico, só o tempo dirá – e o Radar também!