O silêncio nada inocente do general Pazuello

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Quando chegou ao Radar, nessa quinta-feira (13), através de matéria de agência de notícias, que a Advocacia Geral da União (AGU) – ler advogados a serviço do Governo Federal – está querendo garantir junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Eduardo Pazuello possa ficar calado à CPI da Covid-19 no Senado Federal, a primeira coisa que meio à mente foi: “Mas, não foi a trupe de Messias Bolsonaro que viveu, desde a campanha eleitoral de 2018, usando como mote político a passagem bíblica ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (João 8:32)?”.

Então, qual é o medo da verdade do general bigode grosso? Se até a palavra de Deus diz que a verdade é libertadora, então porque o governo de Messias Bolsonaro quer aprisionar o ex-ministro da Saúde Pazuello num silêncio que é um atestado de culpa?

Isso nos remete a uma transmissão ao vivo, feita no dia 22 de outubro do ano passado pelo presidente Messias Bolsonaro, onde o ministro Pazuello aparecia ao seu lado dizendo: “É simples assim um manda – no caso o capitão reformado – outro obedece – no caso o general da ativa”.

Um dia antes, o presidente Messias Bolsonaro deu ordens para que o então ministro da Saúde, general Pazuello, cancelasse o protocolo de intenções para a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, compra anunciada por Pazuello em reunião com governadores.

A vacina foi desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e pela farmacêutica chinesa Sinovac. “Não compraremos a vacina chinesa”, ordenou Bolsonaro a Pazuello. E foi exatamente o que aconteceu. O Brasil não comprou milhões de doses de vacina ainda no ano passado.

Agora se sabe, por causa da existência da CPI da Covid no Senado Federal, que Bolsonaro e seu general, ministro da Saúde, não recusaram apenas comprar a chamada pejorativamente por Bolsonaro de “vacina chinesa”. Mesmo Bolsonaro batendo continência pra bandeira norte-americana, seu governo e seu ministro da Saúde sequer responderam as propostas da farmacêutica norte-americana Pfizer, feitas ainda em agosto do ano passado. Isso nos mostra que o presidente Messias Bolsonaro decidiu não dar ao povo brasileiro sequer o direito de decidir se tomaria a vacina ou não.

Conhecendo agora estas verdades ditas em depoimentos à CPI da Pandemia, quantas outras verdades podem vir à tona com o depoimento do ex-ministro Pazuello? Sabendo-se que Pazuello disse que um (Bolsonaro) mandava e o outro (no caso ele) obedecia, como saber quantas e quais ordens podem ter sido dadas pelo capitão presidente ao general ministro da Saúde que ele tratava como subalterno e que podem ter levado mais de 430 mil brasileiros a morte – total de mortos por Covid-19 nesta sexta-feira, 14 de maio de 2021.

Se Pazuello falar a verdade, essa verdade libertará o povo brasileiro do radicalismo, da burrice, da arrogância, da ignorância e de tantos outros males tão nefastos quanto a pandemia.