O sofrimento de pacientes com câncer para conseguir consulta na FCecon

Na luta pela vida, os pacientes com câncer do Amazonas ainda têm que passar por outro sofrimento: conseguir uma consulta na Fundação Centro de Controle de Oncologia no Amazonas (Fcecon).

A “batalha” de alguém que já está doente e, portanto, fragilizado física e emocionalmente, inicia nas primeiras horas da madrugada. De acordo com relatos dos pacientes encaminhados ao Radar, por dia são distribuídas 25 senhas para atendimento.

O total de senhas para atendimento não passa nem perto da quantidade necessária para que os pacientes sejam atendidos e, por isso, os doentes ou seus acompanhantes têm de chegar nas primeiras horas da madrugada ao FCecon para garantirem as consultas. Eles se organizam e formam uma fila na unidade de saúde para que as 25 primeiras pessoas que cheguem sejam atendidas.

Nesta semana, a acompanhante de um paciente recém operado e que precisa da consulta com o oncologista para iniciar o tratamento quimioterápico teve de ir pelo menos duas vezes à unidade: na primeira madrugada, ela chegou 5h da manhã e já não tinha mais vaga na fila formada em busca de uma das 25 oportunidades; na segunda madrugada, ela chegou por volta de 3h e conseguiu ser a 19ª na fila à espera de uma das 25 fichas para atendimento.

Mas, infelizmente o sofrimento não encerra aí. Às 7h30 as senhas começam a ser distribuídas. Em um informativo na porta da Gerência de Oncologia há a informação de que senhas são distribuídas de manhã e a tarde, mas, segundo os pacientes que procuraram o Radar, a informação não condiz com a realidade.

Há, ainda, a distribuição de cinco senhas para prioridades – identificadas na Fcecon como “pacientes de cadeira de roda e a partir de 80 anos” – e aí inicia mais uma maratona pré e pós atendimento médico. (veja imagens no fim da matéria)

Enquanto aguardam atendimento, os pacientes ficam sentados em um ambiente nada acolhedor, sem ventilação ou conforto. Após o atendimento com o oncologista, o sofrimento só aumenta: nesta semana a Fcecon não tinha os remédios utilizados na quimioterapia e foi informado que as máquinas de tomografia da Fundação estavam inoperantes.

Mesmo diante dos relatos de sofrimento de pacientes e acompanhantes, a FCecon negou que haja suspensão, paralisação ou qualquer irregularidade nos atendimentos – em quem você acreditaria? – , mas admitiu que “alguns fármacos estão em processo de aquisição” – palavras complicadas que significam que não tem os remédios mesmo.

Segundo a Fcecon, os equipamentos de tomografia estão em pleno funcionamento, mas a prioridade é para pacientes da urgência e internação.