O texto que eu não queria escrever em 2022

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Pra vocês confesso, estava travada pra escrever esse texto. Afinal, como começar um novo ano falando das mesmas coisas ruins do ano anterior. No apagar das luzes de 2021, o presidente Messias Bolsonaro reduziu benefícios tributários das fábricas de refrigerante da ZFM, ou seja, com a decisão, aumenta a carga de impostos para que os grandes fabricantes de refrigerantes como Ambev, Heineken e Coca-Cola industrializem e comercializem o xarope produzido em Manaus para engarrafadores instalados em outros Estados.

Com redução dos benefícios tributários, os grandes empresários não têm por que manter seus negócios no Amazonas, com os custos elevados da logística de um Estado que é geograficamente distante dos grandes centros de produção e consumo do País, ainda mais com gasolina a sete reais.

Isso sem contar ainda com inflação alta e aumento nos preços que causam queda no consumo de produtos considerados supérfluos como refrigerantes. Prova disso é que a redução dos benefícios tributários levou ao fechamento da Pepsi no Amazonas e junto com a empresa foram embora os empregos.

Ainda mais terrível é lembrar que milhares de famílias do interior do Amazonas vivem da renda dessa cadeia produtiva. “São mais de cinco mil empregos gerados pela produção de guaraná, cana de açúcar e outras culturas no interior do Amazonas, e pela fabricação dos concentrados em Manaus”, lembrou o senador Eduardo Braga ao liderar um movimento para manutenção dos incentivos fiscais das empresas do polo de concentrados da ZFM, nos governos de Michel Temer e Messias Bolsonaro.

Na época, foi lembrando ainda o papel estratégico dos benefícios tributários para preservação ambiental, uma vez que eles impulsionam atividades sustentáveis mais rentáveis que a exploração predatória da floresta.

Mas para o presidente Messias Bolsonaro nada disso tem a menor importância, a não ser satisfazer os interesses de grandes empresários do Sul e do Sudeste que podem bancar sua campanha à reeleição e montar mais uma vez uma rede monstruosa – ao pé da letra do que essa expressão significa – de influenciadores digitais comprados, perfis fakes, esquema de robôs, esquemas de evangelização dos vendilhões da fé e coisas do gênero – esse tipo de gênero eles idolatram.

Num Estado onde teve a maioria de votos em 2018 e onde se tornou cidadão amazonense pelas mãos de deputados estaduais que sempre ficam mudos sobre os ataques do governo federal na ZFM, o presidente Messias Bolsonaro tem um único plano de “desenvolvimento” que é o extrativismo, do tipo extração de madeira ilegal, afinal precisa derrubar a floresta pra encher de merda de gado, ou ainda poluir os rios com mercúrio dos garimpeiros que não pagam um centavo de impostos e impulsionam a prostituição e o trabalho escravo. Para Bolsonaro basta pra o Amazonas ser tão somente porto de lenha.