Oficiais da PM tomam celular de repórter, obrigam a dizer a senha e apagam vídeo da prisão de soldado (ver vídeo)

No vídeo, o tenente-coronel Hildeberto, que comanda a Diretoria de Justiça e Disciplina da PM, e o também tenente-coronel Saunier, que comanda o Batalhão da Guarda estão de pé constrangendo o repórter Waldir Adriano, que tinha acabado de filmar a prisão do soldado H. Menezes. Os oficiais pegaram na marra o celular do repórter – um deles está com o celular na mão – e o trancaram em uma sala onde ele é visivelmente constrangido e pressionado a dizer a senha do aparelho, num visível ato de abuso de poder e desrespeito às Leis já que ele não poderia ter sido detido pelos oficiais sem a existência de qualquer delito e muito menos ser obrigado a dizer a senha de um equipamento de uso privativo – imagina, gente, que um desses oficiais comanda exatamente a diretoria de Justiça da PM!

Por estar com medo do que poderia acontecer, o repórter acaba dizendo a senha, e um dos oficiais se sente no direito de apagar o que tinha no parelho do rapaz. Sei que todos os leitores do Radar estão se perguntando: Mas o que tanto esses oficiais queriam evitar que ficasse gravado no celular do repórter? A questão é que o repórter Waldir Adriano gravou os fatos que envolveram a prisão do soldado H. Menezes.

O soldado se negou a assinar o livro de férias, mesmo recebendo ordem do comandante do Batalhão de Guarda. O motivo de se negar a assinar é que ele não teria recebido as férias, então como iria atestar férias que não recebeu. O segundo motivo é que ele foi trabalhar à paisana porque o fardamento dele não tinha mais qualquer condição de uso. Segundo o soldado, a farda resgou de vez.

DOC Soldado

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Ele avisou o comando, no dia 08 de julho, através de ofício ao comandante. Como dá pra ver no ofício, o soldado diz que fazem quatro anos que ele não recebe fardamento. O soldado teria argumentado com seus comandantes que não tem condições financeiras de comprar a farda, mas os oficiais acharam que ele tinha que dar o jeito dele.

Nesse momento não há como não lembrar que a falta de fardamento que, não é de hoje, vem sendo reclamada pelos policiais militares, se confronta com milhares de fardas que teriam sido compradas pelo comando da PM – só camisas cinzas foram 100 mil quando só haviam, à época, 9 mil policiais na PM, pode gente? Segundo o Ministério Público, não se sabe onde estão os fardamentos e como foram gastos R$ 16 milhões dos cofres públicos. Por conta dessa (diz que) “compra”, estão sendo processados ex-comandantes da PM como os coronéis Almir Davi e Dan Câmara, e até o atual comandante geral da PM, coronel Augusto Sérgio Farias Pereira – será que não dava pros tenentes-coronéis do Batalhão da Guarda e Diretoria e Justiça e Disciplina pediram uma farda dessas pro comandante da PM?

Mas, voltando a prisão do soldado, vocês até devem imaginar o que aconteceu. Ele foi questionar sobre os seus direitos com os ditos superiores e acabou foi levando voz de prisão. Os oficiais só faltam dizer que ele só tem direito de não ter direito algum. Mas, em outras palavras, um dos oficias diz exatamente isso quando destaca que “H. Menezes é um soldado e ele é coronel”. E o repórter, que estava lá pra fazer outra matéria, e gravou o entrevero entre o soldado e os oficiais acabou sendo constrangido e desrespeitado de uma forma incompreensível. Afinal, se os oficiais agiram de conformidade com o regulamento da PM porque estavam tão preocupados em destruir a gravação feita pelo repórter? Porém, se esqueceram que o Radar está em todo lugar! (Any Magareth)